O Irão está a fornecer armas ao Iraque para ajudar este país a combater os jihadistas do Estado Islâmico. A revelação, feita pelo New York Times, surge na altura em que a batalha pela cidade de Tikrit sobe de intensidade e o número de baixas cresce de dia para dia.

Segundo os serviços secretos dos Estados Unidos, foram dezenas os carregamentos de mísseis e rockets que o Irão fez atravessar as fronteiras iraquianas nas últimas semanas, à medida que o Iraque preparava cerca de 30 mil militares para a batalha de Tikrit, cidade tomada pelo Estado Islâmico e ainda em grande parte sob o controlo dos jihadistas. Para os agentes ouvidos pelo New York Times, o envio de armas iranianas causa preocupação aos Estados Unidos, uma vez que os mísseis agora em território iraquiano não são controláveis à distância e podem, assim, provocar mortes civis indesejadas. Por outro lado, e uma vez que grande parte dos militares do Iraque são xiitas treinados no Irão, isto poderá contribuir para o acentuar das tensões entre xiitas e sunitas.

De acordo com especialistas, este tipo de armamento representa uma escalada no conflito entre o Iraque e o Estado Islâmico, uma vez que se tratam de rockets e mísseis até agora não usados naquele território. Na Síria, no entanto, armamento iraniano semelhante a este já está a ser usado há algum tempo.

Com o agudizar do avanço terrorista no Iraque, o Irão tem ganho crescente influência política e militar no país vizinho, treinando e equipando a milícia xiita Badr, que controla grandes partes do Iraque. No início de março, uma jornalista do New York Times descrevia a viagem entre Bagdade e Tikrit, afirmando que havia diversos postos de controlo ao longo da estrada, em muitos dos quais havia cartazes com fotografias de líderes iranianos xiitas. Além disso, os serviços secretos norte-americanos suspeitam que haja mesmo militares iranianos envolvidos nas batalhas contra o jihadismo, enquanto altas figuras militares ajudam o Iraque a planear os ataques.

Os confrontos em Tikrit, entretanto, estão temporariamente suspensos, depois de uma semana de batalha muito intensa que provocou centenas de baixas entre o exército iraquiano. Segundo os trabalhadores do cemitério de Najaf, cidade próxima, ouvidos pelo Washington Post, todos os dias chegam ali cerca de 60 mortos, o que representa um forte abalo nas forças do Iraque, as quais podem não estar preparadas para as ofensivas maiores que se avizinham (a Mossul, nomeadamente).

Neste momento, Tikrit é já quase toda controlada por forças fiéis ao governo do Iraque e os combatentes do Estado Islâmico estão em fuga, prestes a abandonar definitivamente aquele que era um importante bastião do grupo terrorista. Mas a batalha está a demorar mais do que o previsto e, até ao momento, a coligação internacional liderada pelos Estados Unidos não lançou quaisquer ataques aéreos à cidade.