O número de mortos na sequência do forte sismo de magnitude 7,8 na escala de Richter que sacudiu, no sábado, o Nepal, ultrapassa já os 2.500, informaram este domingo fontes oficiais do Nepal e de países vizinhos. Já este domingo se fizeram sentir várias réplicas, uma delas também bastante violenta, de 6,7 na escala de Richter).

De acordo com as autoridades, mais de 2.500 pessoas morreram na sequência do sismo que abalou o Nepal, no sábado, e o número de feridos chega já aos seis milhares. De acordo com a agência de notícias AFP, citada pelo The Guardian, as autoridades nepalesas atualizaram já o balanço de mortes para, pelo menos, 2.430 no Nepal, fora os 18 montanhistas que morreram por causa das avalanches no Monte Everest. O sismo foi ainda responsável por 61 mortos na Índia e outros países vizinhos.

Chegado da Indonésia, o primeiro-ministro do Nepal, Sushil Koirala, pediu este domingo unidade perante “o grande desastre” do terramoto. As autoridades estão neste momento a tentar restabelecer as comunicações e a eletricidade, que está cortada em boa parte do Vale de Katmandu, conta o El Mundo.

Ammu Kannampilly, diretora do escritório da agência francesa AFP no Nepal, estava a fazer reportagens no campo base do Monte Everest, a 5.500 metros de altitude, quando aconteceu o terramoto no sábado e refere que afirmou que seis helicópteros conseguiram chegar ao campo base hoje, após as condições meteorológicas terem melhorado durante a noite.

Estimativas divulgadas este domingo pela ONU indicam que o sismo afetou cerca de 6,6 milhões de pessoas em 30 distritos do Nepal e é o pior sismo desde o de 1934, que matou 8.500 pessoas. Uma equipa das Nações Unidas chegou, esta manhã, à capital para ajudar a identificar as necessidades mais imediatas dos afetados, indicou o gabinete da ONU.

Os socorristas continuam a escavar os escombros na capital, Katmandu, que foi devastada pelo sismo. Os moradores estão aterrorizados e muitos foram forçados a acampar à noite na capital, pois vários edifícios e casas foram reduzidos a escombros e outros estão em risco de derrocada.

As réplicas na região de Banepa – uma cidade a 25 quilómetros de Katmandu – têm tido magnitudes superiores a 4 na escala de Richter, segundo o site Earthquake Track, mas o sismo mais forte deste domingo chegou a 6,7, confirmou o Instituto de Geofísica Norte-Americano (USGS, sigla em inglês). Esta réplica causou uma nova avalanche.

Em comunicado, o coordenador do gabinete das Nações Unidas para o Nepal, Jamie McGoldrick, indicou ter-se reunido com representantes do Governo nepalês para oferecer assistência e discutir as necessidades da resposta à catástrofe.

“Estamos prontos para ajudar o Governo do Nepal a responder a esta terrível tragédia”, disse o coordenador da ONU em Katmandu, acrescentando que “serão envidados todos os esforços para assistir aqueles que precisam de ajuda”. “É essencial que ajamos da forma mais rápida e eficaz possível”, disse o responsável, salientando ser “preciso garantir que não se perdem mais vidas e priorizar as necessidades dos mais vulneráveis”, na mesma nota citada pela agência Xinhua.

Os hospitais estão sobrecarregados e os médicos estão a tratar os doentes em tendas improvisadas, sendo que as equipas foram forçadas a abandonar os edifícios por medo de novos colapsos. “A eletricidade foi cortada, as comunicações estão congestionadas e os hospitais estão lotados e estão a ficar sem espaço para guardar corpos”, disse a chefe executiva da organização não-governamental Oxfam, Helen Szoke, à agência francesa AFP.

Os Estados Unidos vão enviar socorristas e um milhão de dólares. Mas as manifestações de solidariedade para com o Nepal têm-se multiplicado, com inúmeros Governos e organizações internacionais a oferecerem ajuda, como a Austrália, a Índia, a China, a União Europeia, a ONU, entre outros. Mas os danos no aeroporto de Katmandu pode dificultar o acesso das equipas de ajuda humanitária.

https://twitter.com/nadeemmalik/status/592246772015050752

Um terramoto de magnitude 7,8 na escala de Richter, com epicentro localizado cerca de 80 quilómetros da capital, destruiu inúmeros edifícios e monumentos históricos e foi sentido também noutros países da região, como Índia e China, onde também deixou vítimas.

Um vídeo, alegadamente do momento do sismo, numa piscina de um hotel no Nepal. O Observador não conseguiu confirmar a veracidade do vídeo de circuito fechado.

Contactado pela agência Lusa, José Cesário, secretário de Estado das Comunidades Portuguesas indicou que “0s sete portugueses que estão referenciados como estando no Nepal foram todos contactados, estão bem, não têm qualquer ferimento e estão agora no processo de recolha dos seus pertences.”

Mas num país onde não existe embaixada portuguesa – só tem um cônsul honorário – e onde o caos se instalou depois da catástrofe é difícil perceber neste momento quantos portugueses poderão estar realmente no país. O Observador encontrou dois amigos que ainda não tinham sido contactados pelas autoridades portuguesas.

Atualizado 12h20