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O Banco Central Europeu voltou a aumentar o valor limite dos empréstimos de emergência que o banco central da Grécia pode dar aos bancos gregos, em 1,4 mil milhões de euros para os 76,9 mil milhões de euros, numa altura em que aumenta a pressão para reavaliar a valorização dos ativos que os bancos usam como garantias para conseguirem estes empréstimos, e que pode vir a criar ainda mais dificuldades aos bancos gregos.

A 04 de fevereiro, o Banco Central Europeu anunciou a decisão de deixar de aceitar dívida pública grega como garantia para dar empréstimos aos bancos comerciais, uma decisão que afetava principalmente os bancos gregos. Na sequência do resgate da Grécia, o BCE criou uma dispensa especial que lhe permitia aceitar como colaterais (ativos de garantia) a dívida pública de países que tivessem um nível de rating que considerassem essa dívida como especulativa (ou ‘lixo’).

Sem perspetiva de conclusão com sucesso da última revisão do programa, o BCE decidiu deixar de aceitar esta dívida, dando no entanto permissão ao banco central da Grécia para dar empréstimos de emergência (Emergency Liquidity Assistance, ou ELA) aos bancos gregos para compensar esta decisão, e assim garantir que os bancos solventes tinham financiamento.

Com o passar do tempo, e sem um acordo entre a Grécia e os credores internacionais, o valor dos ativos que os bancos podem dar como garantia (tal como é exigido) para se financiarem nos bancos centrai está a cair, e nalguns casos mesmo a desaparecer. Isso tem feito com que o BCE aumente, ainda que abaixo das pretensões dos bancos, o limite máximo que o banco central da Grécia pode conceder em empréstimos aos bancos gregos.

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No entanto, em breve os bancos gregos podem ter outra má notícia. O presidente do BCE, Mário Draghi, já tinha admitido na última conferência de imprensa do Banco Central Europeu após a reunião do conselho de governadores em Frankfurt, Alemanha, e voltou a reforçar o aviso após a reunião do Eurogrupo em Riga, na Letónia: o valor dos colaterais pode ser reavaliado em breve.

Isto significaria que a valorização que os bancos centrais atribuem à dívida grega pode ser ainda mais baixo, o que obrigaria aos bancos a encontrarem mais ativos para conseguirem o mesmo valor de financiamento, ou então não conseguiriam todo o dinheiro que pretenderiam dos bancos centrais.

Isso mesmo foi reforçado pelo governador do banco central da Estónia. “Quando o Eurosistema como um todo dá apoio, temos as nossas próprias regras de colateral, podemos ser nós a estabelece-las. (…) Quando se trata de ELA, isso é da responsabilidade do banco central nacional, que tem alguma margem nesta matéria”, disse aos jornalistas em Tallinn, Estónia.