Maria Luís Albuquerque recusa que os países do Eurogrupo estejam a querer “humilhar” a Grécia e rejeita, também, a ideia (alimentada pelo governo grego) de que países como Portugal e Espanha sejam particularmente duros com Atenas. Numa longa entrevista ao programa “HardTalk”, na BBC, esta quarta-feira, a ministra das Finanças acrescentou que não existe qualquer “questão pessoal” com os representantes do governo grego, nomeadamente Yanis Varoufakis, e que o que está em causa é o cumprimento das regras da zona euro.

Rejeitando que o governo português e outros estejam a querer humilhar a Grécia, Maria Luís Albuquerque recorda que a Grécia paga menos juros pela sua dívida do que os outros países. E sublinha que “há abertura por parte do Eurogrupo” para reajustar medidas mas que há um conjunto de reformas estruturais que têm de ser feitas, diz Maria Luís Albuquerque.

“A solidariedade é algo que implica que haja, também, responsabilidade do outro lado”, salienta a ministra das Finanças. “Temos de ter a solidariedade mas depois fazer a nossa parte, colocando a nossa economias numa situação mais sustentável”, nota Maria Luís Albuquerque, não disfarçando algum desalento com a falta de progressos na “capacidade da Grécia de se mover no sentido de se aproximar” das exigências do Eurogrupo.

Quanto ao facto de ter havido alterações nas equipas de negociação, com alguns observadores a dizerem que Yanis Varoufakis perdeu importância, Maria Luís garante que “não é uma questão pessoal ou de personalidade”. “A questão prende-se com as opiniões e posições das autoridades e com a capacidade de mostrar um compromisso com as reformas necessárias” e compatíveis com a zona euro, ao mesmo tempo que se respeita a intenção dos cidadãos gregos.

“Portugal, dentro da zona euro, tem tido exatamente a posição que é absolutamente unânime à que todos os outros governos do Eurogrupo têm tido”, isto é, que “as regras têm de ser cumpridas porque as regras são o que nos mantém a união monetária junta”, garante Maria Luís Albuquerque.

Questionada pelo entrevistador sobre a dureza de declarações como a crítica de Passos Coelho ao “conto de crianças” que é o programa de governo de Alexis Tsipras e Yanis Varoufakis, Maria Luís Albuquerque responde que esta expressão deve-se às “promessas [eleitorais de Tsipras] e como tantas dessas promessas são incompatíveis” com a pertença à união monetária.