O antigo reitor da Universidade de Lisboa e candidato às presidenciais de 2016, António Sampaio da Nóvoa, garantiu que se fosse ele o Presidente da República durante o “verão quente” da coligação em 2013 – depois Vítor Gaspar ter batido com a porta e de Portas ter apresentado o seu pedido de “demissão irrevogável” – teria demitido o Governo e convocado eleições antecipadas.

“Nessa altura teria sido necessário haver uma renovação da vontade democrática dos portugueses”, afirmou Sampaio da Nóvoa, colocando em Cavaco Silva a responsabilidade de ter mantido um Governo instável.

No programa “Grande Entrevista”, na RTP Informação, Sampaio da Nóvoa fez, de resto, questão de se demarcar de Cavaco Silva, considerando que houve várias situações em que o Presidente da República “poderia e deveria” ter feito mais.

Considerado que “houve direitos que foram postos em causa nos últimos anos”, o candidato presidencial acredita que Cavaco Silva deveria ter tido um papel mais ativo e de maior intervenção em vários momentos da “vida pública” como, por exemplo, “na questão dos pensionistas“, mas também, na “defesa do Tribunal Constitucional“.

Sampaio da Nóvoa fez questão de sublinhar, mais uma vez, o caráter independente da sua candidatura que, disse, “é independente até ao limite“. E não fugiu à questão sobre um eventual apoio do Partido Socialista e de António Costa: “Não faria sentido com o percurso de vida que eu tenho, com o tipo de candidatura que eu quero fazer, estar a combiná-la seja com o doutor António Costa, seja com o líder de qualquer outro partido”.

Em relação ao caminho traçado pelo Executivo liderado por Pedro Passos Coelho, o antigo reitor não poupou críticas. “Se o nosso projeto for um país mais pobre, mais empobrecido, de mão-de-obra barata e dependente do estrangeiro, eventualmente podemos estar melhor. Mas esse não é o meu projeto, nem é a minha causa”, afirmou Sampaio da Nóvoa.