Parlamento Europeu

Britânica e polacos viabilizam grupo de Marine Le Pen

Aos cinco partidos de extrema-direita faltavam duas nacionalidades para serem um grupo. Britânica que pertencia ao UKIP e dois polacos do Partido do Congresso juntaram-se a Le Pen e aos seus colegas.

AFP/Getty Images

“Forte, determinada, coerente e ambiciosa”, assim será a ação do novo grupo político no Parlamento Europeu apelidado Europa das Nações e das Liberdades, disse Marine Le Pen, a sua principal impulsionadora, ao apresentá-lo em Bruxelas. O novo grupo vai agregar cinco partidos da extrema-direita europeia e ainda uma eurodeputado que pertencia ao partido eurocético UKIP e dois eurodeputados do partido polaco Partido do Congresso. A extrema-direita, tal como os restantes sete grupos políticos já constituídos, vai receber quase 20 milhões de euros em subvenções até 2019.

A Europa não é o caminho certo”, disse Le Pen esta terça-feira em Bruxelas.

O mistério das sete nacionalidades que constituem a Europa das Nações e das Liberdades, parcialmente desvendado pelo jornal Politico na noite se segunda-feira, foi revelado esta terça-feira na apresentação formal do grupo no Parlamento Europeu em Bruxelas. Para além dos franceses da Frente Nacional, os holandeses do Partido para a Liberdade (PVV), os austríacos do Partido da Liberdade (FPÖ), dos italianos da Liga Norte e dos belgas do Vlaams Belang, junta-se ao grupo a britânica Janice Atkinson, eurodeputada recentemente expulsa do UKIP, e dois eurodeputados polacos do Partido do Congresso da Nova Direita – partido conhecido pelo anti-semitismo, Michal Marusik and Stanislaw Zoltek.

Para um grupo se formar no Parlamento Europeu são necessários 25 eurodeputados de sete nacionalidades diferentes. Este último requisito tinha travado a constituição do grupo até agora, especialmente porque depois das europeias, a Frente Nacional tornou-se o partido francês mais representado no Parlamento Europeu com 37 eurodeputados. No entanto, Le Pen não conta com todos os eleitos do seu partido. O seu pai e fundador da Frente Nacional, Jean-Marie Le Pen – que atualmente está suspenso do partido -, não integrará esta nova força política em Bruxelas e Estrasburgo, assim como eurodeputado do partido Bruno Gollnisch.

Geert Wilders, líder do PVV, disse que este dia era “o dia D para a Europa” e que significava “a libertação dos seus países”. Wilders é atualmente deputado no Parlamento holandês, não abdicando desse cargo quando ganhou lugar no Parlamento Europeu nas eleições do ano passado, e conduziu o processo de negociações com Marine Le Pen. Na Holanda, a retórica de Wilders recai na luta contra a islamização da sociedade e no combate à imigração, temáticas que pretende manter como centrais neste novo grupo.

Para além das verbas atribuídas aos grupos – que podem ascender a quase 20 milhões de euros até ao fim desta legislatura em 2019 -, Marine Le Pen vai passar integrar a conferência de presidentes e intervirá na agenda do Parlamento Europeu. Os eurodeputados de extrema-direita também vão ganhar mais tempo para intervir durante os debates e vão passar a elaborar relatórios nas várias comissões do Parlamento Europeu. A presidência do Parlamento Europeu está atualmente a investigar a Frente Nacional por abuso de confiança depois de uma denúncia ter indicado que o partido tem 29 assistentes a trabalhar em Paris com fundos atribuídos por esta instituição para o apoio dos parlamentares em Bruxelas e Estrasburgo.

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