A Câmara Municipal de Lisboa quer resolver o problema das cheias na cidade através da construção de dois túneis. Resolver, não. Antes “reduzir significativamente o risco de cheias”, como explicou esta segunda-feira o presidente da autarquia em conferência de imprensa. A construção dos dois túneis tem como objetivo criar uma “grande barreira, uma enorme muralha” que permita desviar a água em excesso das zonas baixas de Lisboa, as que são mais afetadas quando há inundações, para o Tejo.

Salientando que a revisão do Plano Geral de Drenagem do município agora anunciada é “o projeto mais importante e mais estruturante das últimas décadas”, Fernando Medina apresentou, assim, uma solução que até há poucos meses se dizia não existir. Em outubro passado, depois de uma segunda-feira caótica em que muitas ruas de Lisboa ficaram inundadas, o presidente da câmara da altura, António Costa, disse que apenas se podia “minorar o impacto” das cheias na cidade, mas nunca evitá-las. “A solução não existe”, dizia.

No espaço de duas semanas, entre o fim de setembro e meados de outubro, fortes chuvadas levaram a que várias zonas da capital ficassem completamente inundadas e muitas ruas mais parecessem rios a céu aberto. O cenário repetir-se-ia em novembro. “O fenómeno tem sido frequente, mais frequente nos últimos tempos”, admitiu Medina, responsabilizando as alterações climáticas, a grande frente ribeirinha da cidade e o desenvolvimento das cidades dos arredores pelo agravar da situação. Agora, com as obras anunciadas, a câmara espera dar “uma resposta de fundo a um problema estrutural”.

Pode ver o vídeo apresentado esta segunda-feira aqui.

Entre 2016 e 2030, o Plano Geral de Drenagem da Lisboa prevê a construção de um túnel de cinco quilómetros entre Monsanto e Santa Apolónia e de um outro, de um quilómetro, entre Chelas e o Beato. O troço entre Monsanto e Santa Apolónia passará por algumas das zonas mais críticas das cheias em Lisboa, como a Avenida da Liberdade e Santa Marta. Terá início junto à estação de Campolide e, na passagem pela Almirante Reis, ficará por cima do túnel do metro.

túnel

A proposta de revisão do Plano Geral de Drenagem vai esta quarta-feira a reunião de câmara e inicia-se depois um período de debate público que Fernando Medina disse querer “amplo, alargado e muito participado” até ao fim de setembro. O início dos trabalhos está previsto para meados de 2016. “Contamos que a cidade possa beneficiar [dos efeitos das obras] dentro de quatro anos”, afirmou o autarca, referindo também que o investimento total – de cerca de 170 milhões de euros – provém de recursos próprios da câmara, embora esteja a ser preparada igualmente uma candidatura a fundos comunitários.

Apesar de o plano ser ambicioso, Medina fez questão de salientar que “este programa não elimina as cheias da cidade de Lisboa”, antes vai contribuir para uma “forte, fortíssima redução do número de eventos”. O autarca frisou que as obras previstas terão um impacto reduzido nas ruas e na vida da população.