A base da argumentação do PS na reação aos dados do desemprego e da economia é esta: os dados são bons, podiam ser melhores e são insuficientes em relação a outros países da União Europeia. Esta segunda-feira, pela boca de Mário Centeno, o coordenador do cenário macroeconómico dos socialistas – e um dos nomes apontados para a pasta das Finanças caso o PS forme Governo – o PS congratulou “os portugueses”, não o Governo, pela melhoria dos dados do desemprego e apresentou uma visão diferente da história, quando o que está em causa é a melhoria da economia. Já o PSD congratulou-se com os dados e vincou que está a apresentar resultados.

Nas trocas de argumentos, fica uma frase: “A economia não é uma história infantil, conto para crianças é a versão de ‘Pedro e o lobo’ que o primeiro-ministro nos quer contar. Todos sabemos o que valem os anúncios de Pedro, mas não precisamos mais para lutar contra as desigualdades. Felizmente os portugueses têm o destino nas suas mãos”, disse. Reação geral, pegando na frase que já foi repetida por Passos Coelho para se referir à alternativa à política da coligação, dizendo que a alternativa à política do Executivo é um “conto de crianças”.

Nos pontos mais específicos, no que ao desemprego e aos dados da economia diz respeito, o PS teve uma reação diferente da que tem protagonizado até agora. Antes de tudo, Mário Centeno congratulou o esforços dos portugueses para a melhoria destes números: “Os portugueses, empresários e trabalhadores, estão de parabéns, mas este valor é metade do previsto pelo Governo e acontece após um período de enorme sofrimento para a economia”. Mas acrescentou no entanto que eles “sustentam um trajecto para a economia que não se pode perpetuar. Frisou que é preciso não só olhar para os dados do desemprego, mas também do emprego e da população ativa e sintetizou a ideia: “O legado destes quatro anos foi desigualdade, desemprego e emigração”.

Já em relação aos números da economia, Centeno fez questão de dizer que estes ficam aquém do que deveriam ser. “Esta evolução da economia é fraca porque acontece num contexto favorável com juros baixos, euro depreciado [face ao dólar] e o petróleo mais baixo e uma política do BCE que é favorável”. Além disso, peca também pela comparação com outros países. Isto porque, afirmou, os valores são mais baixos “do que outras economias que estiveram em crise nos últimos quatro anos” como a Irlanda, Espanha e também a Grécia: “Na Grécia, o crescimento homólogo é semelhante, mas em cadeia é o dobro”, referiu.

Para o fim guardou uma explicação mais técnica e defendeu que o valor do crescimento de 0,4% do PIB é “apenas pela acumulação de stocks”.

PSD vinca diferença entre promessa e resultados

Para o PSD, os dados do INE comprovam a recuperação do crescimento económico e a redução do desemprego, considerando que ao contrário dos outros que fazem promessas, o Governo apresenta resultados.

Em conferência de imprensa na sede distrital do PSD/Porto, Marco António Costa enfatizou que os dados estão em linha com as previsões do Governo e “reforçam o sentimento de recuperação social e económica que Portugal está a trilhar”.

“Contrariamente a outros que fazem promessas, aquilo que nós apresentamos são resultados que queremos garantir para o futuro”, comparou, garantindo que a análise destes dados “não comporta nenhum triunfalismo”.

Segundo a estimativa provisória divulgada hoje pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), a taxa de desemprego desceu 0,2 pontos percentuais em julho face a junho, para 12,1%, tendo também hoje sido divulgado que a economia portuguesa cresceu 1,5% no segundo trimestre de 2015 face ao período homólogo e registou um crescimento em cadeia de 0,4%.