Para o bispo da Diocese de Portalegre-Castelo Branco, D. Antonino Dias, todas estas situações têm de ser encaradas “sem julgar, sem condenar, sem apontar”, dando como exemplo todos os que sofrem a “experiência do fracasso” matrimonial, situação que considera ser “uma espécie de derrota” e que “faz sofrer” as pessoas.

Nós não podemos fugir às questões, temos que as enfrentar de frente, sempre nessa fidelidade à nossa proposta de família”, disse D. Antonino Dias, em declarações à agência Lusa.

Para D. Antonino Dias, que participa na 14ª assembleia ordinária do Sínodo dos Bispos, dedicada às questões da família, iniciativa que arranca domingo no Vaticano e vai decorrer até ao dia 25 deste mês, a sociedade deverá olhar para todos aqueles que passam pelo divórcio com “amor e ternura” e “sem fugir à verdade”.

Quanto à posição que vai defender no Sínodo dos Bispos sobre as questões relacionadas com o acolhimento de pessoas com orientação homossexual, D. Antonino Dias recordou que a posição da Igreja sobre esta matéria “é clara e sabida”. “A posição da Igreja é clara e sabida por todos. Há sempre o acolhimento, faz parte da misericórdia”, disse.

D. Antonino Dias, que considera que o mundo passa por uma “crise cultural” que “abala” a família, o próximo Sínodo dos Bispos servirá para “rasgar caminhos”, no sentido de debater a “vocação e a missão da família na igreja e no mundo”. “Eu penso que o que será preciso apostar é naquilo que está a montante da própria celebração do matrimónio, que é a preparação. A preparação começa na casa dos próprios pais”, disse.

Para o Bispo da Diocese de Portalegre-Castelo Branco, a família “não pode ser só consumidora” da evangelização, tem de ser “protagonista” da evangelização e “assumir-se” como uma parte da construção da família.

Segundo a agência Ecclesia, mais de 400 pessoas vão participar na 14.ª assembleia ordinária do Sínodo dos Bispos. Portugal vai ter como delegados, além de D. Antonino Dias, o cardeal-patriarca de Lisboa, Manuel Clemente.