A opção dos socialistas é a de entregarem a carta nas mãos de Cavaco Silva, mas sem divulgarem o conteúdo. O documento já seguiu para o Palácio de Belém, mas não será dado a conhecer. Certo é que o socialista garantiu a Cavaco Silva que o Governo do PS tem garantias de estabilidade e durabilidade. Resta saber se é suficiente para o chefe de Estado. 

A carta tem entre seis e sete páginas e responde a todas as dúvidas do Presidente da República. É um documento extenso, que clarifica os acordos e dá garantia de estabilidade para a legislatura, contou ao Observador fonte do partido. Já a TVI24 diz que não há garantias adicionais da parte de António Costa, dando o exemplo do que no toca aos compromissos internacionais, o líder socialista remete para o programa do PS.

A carta é apenas da parte do PS e não dos restantes partidos que acordaram apoiar o Executivo de António Costa. Essa não terá sido sequer uma exigência do Presidente da República.

A reposta dos socialistas seguiu no mesmo dia em que António Costa foi até Belém ouvir as exigências do Presidente da República. E foram seis. Desde as mais imediatas como a aprovação de moções de confiança e de orçamentos do Estado, começando já pelo de 2016, ou cumprimentos das regras europeias. 

A conversa demorou apenas meia-hora. Depois disso, a Presidência fez sair uma nota onde dava conta das exigências que fez ao líder socialista.

António Costa só respondeu depois de Jerónimo de Sousa fazer declarações a criticar o Presidente e de o BE e PEV terem enviado comunicados. Curiosamente, os três partidos focaram-se na resposta a Cavaco Silva, mais do que a reforçar as garantias de apoio ao Governo socialista. 

Ao início da tarde o líder parlamentar socialista, Carlos César, dizia em declarações ao económico e à TSF que nenhuma das perguntas feitas por Cavaco tinha “qualquer grau de dificuldade”, uma vez que foram “todas respondidas nas últimas semanas”. Bastava apenas, disse, “relembrar o que foi dito”. Mas desta vez por escrito. Para a elaboração da carta, Costa não voltaria por isso a consultar o Bloco de Esquerda ou o PCP, que sempre disseram que o acordo alcançado estava fechado.