Manifestações

Concerto na Gulbenkian é palco de protestos pró-palestinianos

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Um grupo de ativistas pró-palestinianos portugueses tentou interromper por duas vezes o concerto desta quarta-feira do Quarteto Jerusalém. Os protestos foram feitos "contra os crimes de Israel".

Manuel Almeida/LUSA

O concerto do Quarteto Jerusalém que se realizou esta quarta-feira na Fundação Calouste Gulbenkian ficou marcado por protestos de ativistas pró-palestinianos portugueses do BDS (movimento de Boicote, Desinvestimento e Sanções). Em dois momentos distintos, dois grupos de quatro pessoas que estavam entre a assistência fizeram-se ouvir e espalharam panfletos de indignação contra o grupo musical.

“Estava num concerto da Gulbenkian a ouvir um quarteto. A certa altura ouvimos um apito e um grupo de oito pessoas começou a gritar. Não consegui perceber o que diziam, a única palavra que percebi foi Israel”, contou ao Observador uma testemunha ocular que preferiu não ser identificada. “Deitaram uns papéis para o chão, onde se lê ‘Contra os crimes de Israel, boicote’.”

A primeira intervenção aconteceu cerca de 20 minutos após o início do concerto e as pessoas envolvidas nos protestos foram convidadas a sair. Passavam 15 minutos do incidente quando uma segunda situação idêntica aconteceu, com outros quatros indivíduos a insurgirem-se entre os membros da audiência. À semelhança do que havia acontecido anteriormente, também eles foram escoltados para fora da sala.

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O boicote foi levado a cabo por ativistas pró-palestinianos portugueses do BDS (movimento de Boicote, Desinvestimento e Sanções), segundo avança a RTP. Os ativistas protestaram contra um grupo que dizem ter aceite o estatuto oficial “Destacados Músicos do Exército”, cuja missão passa por “promover por via da cultura e da arte os interesses da política de Israel”, tal como se lê na fotografia de um dos panfletos atirados ao ar.

Este compromisso significa justificar o roubo de terras, a destruição de casas, a expulsão de centenas de milhares de palestinianos e um regime de apartheid para os que ainda não foram expulsos. Ser ‘embaixador’ de Israel implica ser cúmplice assumido dos seus crimes de guerra.”

Elisabete Caramelo, responsável pela comunicação da Fundação Calouste Gulbenkian, confirmou os eventos descritos ao Observador e garantiu que o concerto não foi interrompido, uma vez que os músicos não pararam a sua atuação. “Foram quatro pessoas das duas vezes que houve manifestação. Todas foram convidadas a sair. O direito à manifestação tem de ser autorizado”, diz, justificando a situação.

Caramelo garante que esta não é a primeira vez que os espetáculos do grupo Quarteto Jerusalém são afetados: o mesmo aconteceu em abril deste ano em Londres ou em março de 2010. O motivo destes boicotes deve-se às convicções do grupo enquanto representante de Israel e das políticas israelitas.

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