António de Albuquerque de Sousa Lara foi condecorado esta quinta-feira pelo Presidente da República com a Ordem do Infante D. Henrique, destinada a “quem houver prestado serviços relevantes a Portugal, no país e no estrangeiro”.

Sousa Lara, que exerceu o cargo de subsecretário de Estado da Cultura durante um dos governos de Aníbal Cavaco Silva, entre 1991 e 1992, ficou para a história como o homem que vetou o livro O Evangelho Segundo Jesus Cristo, de José Saramago, que viria a ganhar o Prémio Nobel da Literatura, em 1998. Na altura, o atual professor do Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas (ISCSP) tentou impedir a candidatura da obra ao Prémio Literário Europeu por considerar que esta não representava Portugal.

O incidente levou à saída definitiva de Saramago de Portugal, que decidiu então viver na ilha espanhola de Lanzarote com a sua mulher, Pilar del Río. Saramago chegou mesmo a acusar o ex-governante e Cavaco Silva de “censura”. 

Questionado sobre o assunto durante a cerimónia de condecoração, Sousa Lara frisou que “um Governo tem uma conotação ideológica, não tem que agradar a toda a gente“. “É um Governo da maioria contra a minoria, em última análise. Toma medidas polémicas que, democraticamente sufragadas, têm de ser aceites”, sublinhou o ex-subsecretário, citado pelo Diário de Notícias. 

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