O papa Francisco admite a utilização de métodos contracetivos para evitar o agravamento do surto de vírus zika, apesar de a Igreja ter desde há muito recusar a contraceção, conta a CNN. Este parecer foi dado numa conferência de imprensa a bordo do avião que trouxe o papa de regresso a Roma, depois de ter visitado o México.

Quando questionado sobre se considerava a contraceção “o pior de dois males”, quando comparada ao aborto que algumas mulheres podem considerar fazer para evitar o nascimento de bebés com microcefalia devido ao víruz zika, o Papa respondeu que “o aborto é uma maldade absoluta, um crime, é matar alguém para salvar outra pessoa e isso é o que a máfia faz. Por outro lado, evitar a gravidez não é uma maldade absoluta”.

Esta não é a primeira vez que a Igreja admite que a contraceção pode ser considerada: quando chefiava a Igreja Católica, o papa Bento XVI disse não condenar que o pessoal médico em África utilize métodos contracetivos em casos de violação, embora não tenha conseguido clarificar que métodos poderiam ser esses.

Em 1968, o documento Humanae Vitae oficializou a posição da Igreja sobre a contraceção: nessa altura, o papa Paulo VI escreveu que a Igreja aceita o planeamento familiar natural – através de métodos contracetivos naturais, como medição da temperatura basal -, mas não métodos sintéticos, como a pílula ou o preservativo.