Mundo

Mars. A história do chocolate de que todos falam

Tudo começou há mais de 100 anos. A família que criou os chocolates Mars, Snickers e M&M não gosta de aparecer, mas esta terça todos os jornais escreveram sobre a empresa. E não foi por boas razões.

A gigante norte-americana Mars fez títulos em várias publicações de todo o mundo esta terça-feira assim que a notícia estalou que nem uma barra de chocolate crocante: o grupo ordenou a retirada de artigos num total de 55 países depois de ter sido encontrado, na Alemanha, um “pequeno pedaço de plástico” num dos seus produtos. Portugal não foi exceção.

A medida, que está a ser considerada como preventiva — baseada num “incidente isolado” –, interessa a todos os que têm o hábito consumir estes chocolates. Caso não saiba, a empresa não detém apenas as barras de Mars e Snickers, mas tem também outras marcas que já fazem parte do léxico dos mais gulosos: M&M, Maltesers, Milky Way ou Twix são alguns dos exemplos dos produtos comercializados no mercado nacional.

A empresa opera em seis áreas diferentes, dos chocolates à comida e bebida, passando pelos produtos destinados a animais de estimação (representados pelas marcas Whiskas, Pedigree e Royal Canin, por exemplo).

A Mars, Incorporated, que nasceu em 1911, emprega atualmente mais de 75 mil pessoas e está presente em cerca de 70 países, escreve a Forbes. Mas o que hoje é um império capaz de faturar 33 mil milhões de euros num só ano começou como uma experiência numa cozinha norte-americana, onde Frank Mars criou os primeiros doces que viriam a dar origem a um negócio que poucos podem igualar.

Não foi por acaso que o fundador se dedicou ao chocolate: em criança, Mars sofreu de poliomielite, o que o impedia de ir à escola. Foi a mãe, Alva, quem fez as vezes de professora e lhe deu aulas em casa — entre livros e cadernos, os dois arranjaram espaço (e tempo) para desenvolver o apreço pela pasta de cacau açucarada.

Foi assim que, em 1911, Frank Mars começou a vender os primeiros doces por ele fabricados, criando as raízes para uma empresa de confeitaria que iria ultrapassar gerações, fronteiras e até galáxias, com a invenção do famoso Milky Way a acontecer nos anos 1920, com a ajuda do filho, Forrest E. Mars (o homem que iria dar continuação ao projeto após a morte do pai, em 1934).

Foi precisamente o Milky Way, que em português remete para Via Láctea, que abriu caminho para um sucesso tal que as vendas permitiram a contratação de pessoas a tempo inteiro. No final da década já a empresa tinha cerca de 200 trabalhadores e mudava-se de Minneapolis para Chicago, arrancando com uma produção em pleno numa fábrica que ainda hoje existe. Graças à proximidade com a linha ferroviária, a fácil distribuição dos chocolates faz destes os melhores anos de Forrest Mars.

Seguiu-se a criação do chocolate com amêndoas e caramelo — sim, a receita do Snickers tem mais de 80 anos — e, dois anos depois, a barra de Mars apareceu pela primeira vez em solo britânico, onde Forrest lançou a Mars Limited. Daí para a frente assistiu-se a uma expansão geográfica e à diversificação do negócio: em 1943, por exemplo, Forrest entrou no sector da alimentação (não é por acaso que a empresa é igualmente conhecida pelo fabrico de arroz e massas).

Avancemos no tempo. Só no final da década de 60 Forrest Mars adquiriu o negócio fundado pelo pai, que estava sediado em Chicago desde 1929 — da fusão resultou a Mars, Incorporated, um gigante norte-americano do setor agroalimentar que ainda hoje está nas mãos da família Mars. Não é por acaso que, aos 76 anos, Jacqueline Mars é considerada uma das nove mulheres mais ricas do mundo, depois de ter herdado o negócio do avô em 1999. Atualmente, tem uma fortuna avaliada em 26,6 mil milhões de dólares, o que equivale a mais de 24 mil milhões de euros.

A família Mars é conhecida pelo seu secretismo quase absoluto. Exemplo disso foi o artigo que o Washington Post escreveu em 1992, quando um jornalista daquela publicação teve o raro privilégio de ver como a letra “M” era aplicada nos famosos M&M (criados em 1940). O Washington Post revela também que enquanto os produtos da Mars estavam entre os mais conhecidos da América, o mesmo não se podia dizer da empresa por detrás da marca, com membros da família a evitarem constantemente a imprensa e a recusarem ser fotografados.

Em 2013, a Fortune dava conta da discrição da terceira maior empresa privada norte-americana, recordando que a última vez que alguém da família deu uma entrevista foi durante a administração de George Bush pai. Apesar de querer passar despercebida, a Mars apareceu esta terça-feira nos jornais de todo o mundo.

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