Se quer embarcar numa viagem de primavera sem fazer demasiados planos e escolher o que ver depois de sair do aeroporto Václav Havel, se é daquelas pessoas que gostam de deambular pelas ruas e sentirem-se livres de respirar o ar fresco numa atmosfera soalheira e continental, então este é o seu destino. Agora que a Vodafone, com o novo RED, aboliu as taxas de roaming na União Europeia, aproveite para gerir a sua estadia no local e consultar dados ou fazer chamadas sem se preocupar com custos adicionais.

É primavera, sinta-se livre para deambular em Praga, uma cidade de contos de fadas e terra de arquitetura com uma história recente conturbada, rica e plena de esperança.

Praga é um oásis na paisagem arquitetónica de uma Europa central, traçada com o lápis soviético, que imperou ao longo do século XX. A cidade diferencia-se das suas congéneres centro-europeias tanto pela inovação dos seus edifícios cubistas como, pela preservação do seu património clássico. Para tal, muito contribuiu ter passado quase incólume pelos bombardeamentos da Segunda Guerra Mundial.

Em 1968, data da revolução local, a capital da então Checoslováquia eternizou-se, o tempo de uma estação, como cidade de livre pensamento e esperança no futuro. Passadas mais de quatro décadas, a capital da atual República Checa é um dos destinos de eleição dos europeus para uma estadia breve e não é por acaso. Para tal, muito contribuiu a chegada, nas últimas duas décadas, de cidadãos americanos, alemães, escandinavos e franceses, muitos deles acabando por se instalar localmente dando impulso ao que hoje são as grandes casas de referência na cidade, tanto na vida noturna e nos grande hotéis renovados, como nas estações de rádio e na comunicação em geral.

Os habitantes de Praga também souberam aproveitar a viragem dos últimos 25 anos de independência, navegando hoje entre uma nostalgia sabiamente sustentada e um grande apetite por tudo o que coloca a vida da cidade na atualidade mundial. Praga já foi barroca, secessionista, cubista, rondo-cubista, modernista e capital europeia da cultura no ano 2000.

Com o seu aparato arquitetónico de eleição, é uma cidade teatro, um cenário para fadas desencantadas e cavaleiros sem armaduras, que exprime em cada viela, rua ou avenida o seu singular e múltiplo património classificado pela UNESCO.

Esta é também uma cidade jovem, incrivelmente vibrante, criativa e acolhedora.

Altura ideal para aproveitar o novo RED da Vodafone e fazer pesquisas no smartphone, utilizar as apps de geolocalização e encontrar o caminho certo para atravessar a Ponte Carlos, entrar no Castelo e desligar os dados móveis para, depois de um recolhimento no interior da Catedral de São Vito, sair à rua e perder-se em sonhos na Praça da Cidade. Mas já lá vamos.

ponte carlos (praga) - wikimedia commons

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Primeiro, instale-se confortavelmente numa esplanada, que o sol pode já ser de grande ajuda nesta época do ano. Tire uma selfie com a torre da Orloj em pano de fundo e partilhe-a nas redes sociais. Telefone aos amigos, envie aquele inadiável email de trabalho e, enquanto os dados processam, peça uma cerveja. Em Praga, beber uma cerveja não é um ato anódino.

Permite aos observadores saber quem temos diante de nós. O apreciador preocupado em ser bem recebido irá pedir uma cerveja à pressão, uma Budweiser Budvar, que não tem nada a ver com a americana, uma vez que é produzida em České Budějovice, a sul de Praga, ou uma Pilsner Urquell, bebida forte e dourada produzida desde 1842 na cidade de Plzeň, Pilsen, em alemão. Pode terminar a sua cerveja no local ou procurar o calor denso e ruidoso de uma hospada (cervejaria) e brindar à saúde de Gambrinus, santo padroeiro da bebida fermentada que deu o nome a uma marca de Pilsner.

E fique tranquilo se for um verdadeiro apreciador de cerveja, pois saiba que esta é produzida em Praga desde o século XV. Tome nota também do seguinte: a světlé é branca, a tmavé é escura, a cerné, preta e a řezané, uma mistura de branca e preta. E quando resolver saudar a primavera, lembre-se que o brinde deve ser feito olhos nos olhos com quem está diante de si, se olhar para o copo não fica bem na fotografia.

Comecemos então a nossa fotorreportagem amadora de smartphone em punho. Estamos na primavera em Praga. E esta é simbólica não só pelos acontecimentos de 1968, como pela relação que os praguenses mantêm com o rio da cidade. O Vltava, mais conhecido pelo seu nome alemão, Moldava, é o nervo da capital checa e fornece, entre outros serviços, um terço da eletricidade consumida na cidade graças a uma central construída na ilha de Stavnice. Aproveite este início de estação e embarque num dos cruzeiros fluviais que riscam o rio entre o Lago Slapy, no sul de Praga, e o castelo Troja, a norte. A maioria destes passeios termina no cais Paroplavebni, nas proximidades do restaurante-galeria Manes. Não perca a oportunidade agora, pois em outubro o rio será simbolicamente fechado com uma chave até à primavera seguinte, apesar dos habitantes da cidade não se coibirem de um mergulho nas águas geladas a 26 de dezembro.

Vamos então aos incontornáveis. Primeiro, o mítico Castelo de Vyšehrad, cujas altas muralhas reúnem uma síntese dos estilos dominantes em Praga, no bairro Hradcany: a majestosa Catedral de São Vito, o maior templo da República Checa; a Basílica de São Jorge, divisão da Galeria Nacional; o Palácio Real, residência dos príncipes da Boémia; a Torre da Pólvora que, do alto dos seus 44 metros, oferece um ponto de vista incomparável sobre a cidade; a Torre Daliborka, assim batizada devido a Dalibor, um herói detido em cativeiro que inspirou Smetana para a sua ópera homónima; a Viela Dourada, a rua do Ouro local, outrora bastião dos ourives; ou os palácios Lobkovic e Stenberg, também eles transformados em museus. Os Jardins Reais, o Belvedere e o Palácio Arquiepiscopal também eles fazem parte do castelo de Praga. Um dia inteiro, no mínimo, deverá ser dedicado ao bairro do castelo.

Virado o dia, e antes de seguirmos para um museu singular, prossigamos ao ar livre, desta vez não pelo rio mas por terra, para descobrir o bairro judeu. Batizado Josefov, em honra do imperador que, no início do século XIX, aboliu a discriminação em relação à população judia, este bairro, indissociável da própria cidade de Praga, é um dos mais antigos guetos da Europa e existe, pelo menos desde o século X. De facto, o autor do registo escrito mais antigo da cidade foi um comerciante judeu andaluz, Ibrahim ibn Yaqub, que assinalou, por assim dizer, o assento de nascimento de Praga.

Demolido na quase totalidade em 1895, no quadro de obras de restauro urbanístico, o Josefov conserva alguns vestígios importantes, nomeadamente concentrados entre a elegante avenida e o rio Vltava. Façamos aqui uma pausa para destacar a Pařížská Třída (que em português resulta em algo como Boulevard ou Avenida de Paris). Originalmente chamada Rua de São Nicolau, é a artéria mais elegante da cidade, e reúne alguns exemplares dos mais belos edifícios da Europa, culminando na incontornável Staré Mesto, a Praça da Cidade Velha, onde não pode deixar de ver as horas no Orloj.

prague

Chegue à cidade e partilhe momentos assim com os seus amigos / WIKI COMMONS

Este relógio astronómico medieval foi instalado na fachada sul dos Paços do Concelho e é uma das atrações turísticas mais populares de Praga. De regresso ao bairro judeu, encontramos outros paços do concelho, os do gueto, Židovská Radnice, e são dignos de uma paragem mais demorada. Apesar de integrado na cidade, o bairro judeu teve durante longos anos uma gestão autárquica autónoma. O edifício, que data do século XVI, é hoje um Rabinato e tem no seu campanário um relógio, sem a soberba do Orloj, é um facto, mas com o seu quê de peculiaridade: os ponteiros circulam em sentido contrário. Aproveite para assinalar a sua presença num dos lugares mais emblemáticos da história europeia do século X com uma fotografia ou um pequeno vídeo que pode enviar diretamente para o email dos seus amigos.

É agora tempo de fecharmos o nosso passeio, correndo o risco de termos sido parciais nesta proposta invertida no que à notoriedade da cidade respeita. E, para não destoar, tracemos azimutes para um museu que não será o mais mainstream mas que decerto é dos mais marcantes em termos da produção artística «boémia» do século XX: o Museu Alfons Mucha. É o espírito da «Tchéquia» que se espelha nas obras sensíveis, sensuais e Art Nouveau de Mucha (1860-1939), tanto no campo das artes decorativas como da ilustração, da publicidade ou do grafismo de propaganda ou artístico. É todo o simbolismo iconográfico da mulher-modelo que se espraia sob os seus olhos no interior do elegante e barroco Palácio Kaunic, no centro histórico de Praga. A coleção, integralmente dedicada à obra de Alfons Mucha, concentra-se sobretudo no período mais conhecido do artista, o chamado período parisiense (1895-1904).

Sucedem-se, entre mais de uma centena de obras, pinturas a óleo, desenhos, pastéis, estátuas, fotografias e objetos pessoais. A revelação do universo do artista que imortalizou em cartazes a imagem de Sarah Bernhardt, a icónica comediante parisiense de finais do século XIX, só poder ser memorável. Portanto, não saia sem passar pela loja do museu que tem uma oferta de artigos decorativos fabricados sob licença do proprietário da coleção familiar em exclusivo para o museu com os motivos de Alfons Mucha. Guarde um espaço na bagagem para trazer de Praga recordações palpáveis que poderá utilizar no dia-a-dia como jóias, lenços de seda pintados à mão, vasos, lâmpadas ou papel manufaturado. Pode ainda enviar um postal de Sarah Bernhardt para a família.

Mas, se preferir, pode fazer chegar um presente mais rapidamente: fotografe, partilhe e aproxime os dois países com uma chamada ou uma mensagem enviada através da sua rede social, pelo mesmo preço que costuma pagar em Portugal. A Vodafone garante que é assim mesmo.