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O novíssimo Ibo Café, o espaço mais recente dos responsáveis pelo restaurante e pela marisqueira com o mesmo nome, estava prometido há já algum tempo, mas as obras demoraram a concretizar-se — até porque a estrutura principal que o acolhe não existia. Abriu finalmente esta semana e, pelo caminho, trouxe algumas surpresas que justificam as palavras de Daniel Pedrosa, um dos sócios, quando afirma que “este não é um café tradicional”.

Para começar — e recuperando a gíria de alguns anúncios de champô — trata-se de uma espécie de dois em um: une ao café propriamente dito uma geladaria artesanal, com designação própria. Chama-se Fiori e ocupa uma antiga casinha de madeira do final do século XIX, virada para o largo do Cais do Sodré, que pertenceu, em tempos, à Guarda Fiscal. Um conceito que, segundo Daniel, “surgiu naturalmente, o espaço estava a pedir uma gelataria”. Todos os dias há 14 sabores disponíveis — limão com manjericão, cheesecake de cereja ou maçã reineta são alguns exemplos –, fornecidos por um “mestre italiano com muita experiência no fabrico de gelados”, garante o mesmo responsável. E o nome? “Ainda pensámos em chamar-lhe Ibo, mas não teria ligação nenhuma com o mundo dos gelados”, explica Daniel. Que acrescenta: “Até em Moçambique as geladarias têm nomes italianos…”

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A gelataria Fiori ocupa a casinha de madeira que já existia neste espaço e que foi totalmente remodelada. (foto: © Tiago Pais / Observador)

A inspiração moçambicana do Ibo

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A ligação de Daniel Pedrosa a Moçambique é antiga. E nem precisou de nascer lá. O pai e o avô sim, mas Daniel já se fez homem por estas bandas. “Só que sempre se falou muito de Moçambique lá em casa”, conta. Assim, quando chegou a altura de escolher o destino para cumprir o serviço militar, durante a Guerra Colonial, nem hesitou. Foi para uma terra que também sentia como sua. Voltaria por razões profissionais, em 1982 e nunca mais se desligaria completamente. Até hoje. Quando, em 2008, o filho João Pedro Pedrosa quis abrir um restaurante em Lisboa, o primeiro Ibo, Daniel tornou-se seu sócio. A única condição? Apostar num conceito ligado a Moçambique. E assim foi, a começar no nome, Ibo, uma ilha do arquipélago das Quirimbas, e a terminar em algumas receitas que depressa ganharam fama, como os Camarões à Laurentina, que o são por serem confecionados tal como se fazia no restaurante da fábrica de cerveja homónima.

Já no café, cuja sala se abre para o Tejo , chama à atenção o nome de uma das sanduíches do menu: Lili da Polana (9€). Não parece, mas é um prego. Expliquemos: o Polana, como muitos saberão, é um histórico hotel de Maputo. Ora, Lili é o nome de baptismo do prego especial que por lá se serve — com cebola roxa crua, tomate e maionese caseira –, cuja receita Daniel e o filho João Pedro (o responsável pela cozinha) decidiram homenagear, importando-a para o Ibo Café. Porquê Lili? “Ainda tentei saber, mas sem sucesso. A hipótese mais provável é ter sido uma cozinheira chamada Lili a criar a receita no Polana”, conta Daniel.

Além de alguma pastelaria e dos produtos habituais que permitem uma refeição leve, como tostas, saladas ou sanduíches diversas, do menu constam ainda diversos petiscos com o dedo de João Pedro, caso das puntillitas (9€), das cenouras à algarvia (3,5€) ou das anchovas com alho, coentros e azeite (9€). Também neste capítulo não é descurada a ligação a Moçambique: é sempre possível optar por umas chamuças (2€) ou mandar cozer 100 gramas de camarões moçambicanos (4,5€).

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O famoso Lili da Polana aqui não se come com vista para o Índico, antes para o Tejo.
(foto: © Tiago Pais / Observador)

A mítica cerveja da terra, a Laurentina, é que ainda não chegou aos frigoríficos do Ibo Café, ao contrário do que acontece nos outros espaços da marca. Ou, pelo menos, não tinha chegado quando se inquiriu Daniel Pedrosa sobre o assunto. “Por acaso não temos. Mas se calhar devíamos ter, é uma boa ideia. Pronto, está decidido, vamos passar a ter.” Não se estranhe a recetividade: o espaço acabou de abrir e o menu ainda está a ser afinado. O que não precisa de afinação é a pequena esplanada, com vista para o rio. Se um moçambicano a vir quase que se consegue adivinhar a reação: maningue nice!

Nome: Ibo Café
Morada: Rua da Cintura do Porto de Lisboa (Cais do Sodré)
Telefone: O Ibo Café não tem telefone próprio. No entanto, pode entrar em contacto com os responsáveis através dos telefones do restaurante Ibo: 21 342 3611 ou 96 133 2024
Horário: Todos os dias das 10h às 21h. A gelataria funciona entre as 12h e as 21h