A petrolífera angolana Sonangol garantiu 67% das receitas que o Estado angariou em julho com a exportação de crude, totalizando 79.140 milhões de kwanzas (427 milhões de euros), indicam dados do Ministério das Finanças compilados hoje pela agência Lusa.

Estes valores comparam com os 84.659 milhões de kwanzas (457 milhões de euros) arrecadados em junho, refletindo uma quebra de quase 5% no espaço de um mês, mantendo a empresa concessionária nacional do setor o peso (acima dos 65%) nas receitas petrolíferas do Estado.

O relatório do Ministério das Finanças relativo a junho indica que a Sonangol teve receitas em nove das 14 concessões petrolíferas contabilizadas no documento.

O barril exportado por Angola no primeiro semestre do ano chegou a valer apenas 28 dólares, contra os 45 dólares que o Governo previa arrecadar, segundo o Orçamento Geral do Estado (OGE) de 2016, que na revisão do documento em discussão na Assembleia Nacional desce para 41 dólares (média esperada para todo o ano para cada barril exportado).

Angola exportou em julho 51.382.155 barris de petróleo, menos 2.682.169 barris face a junho, a um preço médio de 46,6 dólares (contra a média de junho de 44,74 dólares).

As receitas fiscais com estas vendas ascenderam a 118.311 milhões de kwanzas (639 milhões de euros), descendo à volta de 7%, menos 8,7 mil milhões de kwanzas (47 milhões de euros), face a junho, que foi melhor mês do ano em receitas totais, com 127.091 milhões de kwanzas (686,5 milhões de euros).

As contas do mês de junho apontam ainda que pela primeira vez em 2016 a exportação de cada barril de crude chegou à previsão aos 50 dólares em dois blocos.

A Sociedade Nacional de Combustíveis de Angola (Sonangol) passou em junho a ter Isabel dos Santos como presidente do Conselho de Administração, no âmbito do processo de reestruturação do maior grupo empresarial angolano.

Numa intervenção pública a 22 de junho, o Presidente angolano, José Eduardo dos Santos, disse que, com o então “nível de preços”, a Sonangol “ficou sem condições de garantir os recursos para o OGE”, especificando que “desde janeiro o Governo deixou de receber receitas da Sonangol porque ela não está em condições de o fazer”, numa aparente alusão aos compromissos da concessionária estatal com o seu próprio endividamento e despesas de funcionamento.

Cada barril de crude produzido em Angola custa atualmente em média 14 dólares, valor que a nova administração da concessionária estatal Sonangol, liderada por Isabel dos Santos, quer reduzir para “oito a dez dólares”.

A posição foi transmitida a 09 de junho pelo presidente da Comissão Executiva da Sonangol, Paulino Jerónimo, questionado pela agência Lusa no final de uma reunião na sede da empresa com as administrações das petrolíferas internacionais que operam em Angola.

Estas disponibilizaram-se para participar no processo de redução de custos, no âmbito da reestruturação e ganhos de eficiência anunciados por Isabel dos Santos para a concessionária estatal.

“Tendo em conta todos os operadores, o nosso custo em média [por barril] é de 14 dólares e dito isso devem compreender que precisamos de fazer um esforço maior em termos de redução. [O valor desejado pela Sonangol é] Oito a dez dólares”, disse ainda o administrador executivo da petrolífera estatal no final de uma reunião em que participou igualmente a presidente do Conselho de Administração, Isabel dos Santos, também empossada nas funções a 06 de junho.

Angola é o maior produtor de petróleo da África, com cerca de 1,7 milhões de barris de crude produzidos diariamente no ‘onshore’ e ‘offshore’.