O ministro das Finanças recebeu esta quarta-feira os vários partidos com assento parlamentar para uma primeira conversa sobre as linhas gerais do Orçamento do Estado para 2017, que será aprovado na quinta-feira em Conselho de Ministros e entregue na sexta à Assembleia da República. Mas PSD e CDS saíram da reunião com as mesmas respostas que tinham antes de entrar: poucas ou nenhumas. “O ministro disse que queria mais ouvir do que falar”, disseram. Mas para os partidos na oposição há, mesmo assim, algumas certezas: a austeridade vai manter-se, os impostos indiretos vão aumentar e as metas inicialmente previstas no cenário macroeconómico para 2016 vão ser revistas. “Vai ser o Orçamento do aumento de impostos”, classificou Luís Montenegro, presidente da bancada social-democrata.

“Vem aí mais do mesmo”, começou por dizer aos jornalistas o líder parlamentar do PSD, defendendo que vai continuar a ser seguida a mesma linha “errada” que foi adotada em 2016 e, pior, “vai ser agravada”. A ideia de agravamento é sustentada pela hipótese de haver um aumento de impostos indiretos que, segundo o deputado social-democrata, não aconteceria se o Governo tivesse mantido a trajetória iniciada pelo governo anterior em 2015. “Em 2015 iniciamos uma linha de recuperação que passava pela diminuição da carga fiscal e que não tinha nenhuma contrapartida, nenhum aumento de imposto indireto associado”, explicou.

Tanto o PSD como o CDS, pela voz do líder parlamentar Nuno Magalhães, saíram da reunião com a ideia de que o cenário macroeconómico estimado pelo Governo para 2016 vai ser “revisto”. Só não sabem em quanto, uma vez que o ministro das Finanças não terá respondido. “O Governo não detalhou nem o desenho das medidas nem a revisão das metas que vai ser feita mas sabemos que essa revisão vai implicar uma diminuição do ritmo de crescimento da economia”, sustentou Luís Montenegro.

Também o CDS garantiu que o Governo confirmou que “haverá uma revisão do cenário macroeconómico” para 2016, mas não especificou os valores, com Nuno Magalhães a acrescentar ainda que o Governo confirmou que haverá uma “recomposição” dos impostos, diretos e indiretos. Mas que impostos sobem? “Ficámos sem resposta”, disse o líder parlamentar centrista.

A conclusão que o CDS tira da curta reunião formal com o ministro das Finanças para apresentação das linhas gerais do Orçamento é que “não acaba a austeridade”, “vai haver aumento de impostos indiretos” e que vai haver “revisão do cenário macroeconómico”.

“Tem havido um concurso de ideias no sentido de aumentar impostos indiretos” e tem havido um “leilão de promessas para aumentar as pensões”, disse Nuno Magalhães, criticando que o OE 2017 não vai acabar com a austeridade como António Costa tinha prometido. “Palavra dada não está a ser palavra honrada”, disse o líder parlamentar centrista, sublinhando que isso acontece não só para a eliminação da sobretaxa de IRS como para os impostos e acrescentando que o que o Governo está a fazer é a “dar com uma mão e tirar com a outra”.