O Governo britânico rejeitou est sexta-feira as críticas de um relatório parlamentar publicado em setembro sobre a intervenção militar inglesa na Líbia em 2011 e defendeu não haver dúvidas de que permitiu salvar civis.

A Comissão dos Negócios Estrangeiros do parlamento britânico concluiu, num relatório publicado em meados de setembro, que a intervenção militar britânica na Líbia em 2011 baseou-se em “falsas premissas”, com vários erros no processo de decisão que levou Londres a intervir, em conjunto com Paris, oficialmente, para proteger os civis reprimidos por Muammar Kadhafi.
Numa resposta publicadaesta sexta-feira, o Governo britânico assegura que a intervenção permitiu “sem dúvida” salvar a vida de civis líbios.

Kadhafi “era imprevisível e tinha meios e motivação para levar a cabo as suas ameaças. As suas ações não podiam ser ignoradas e exigiam uma ação internacional coletiva e decisiva”, indicou.

“O nosso objetivo foi sempre claro: proteger os civis e promover a estabilidade na Líbia”, frisou Londres, defendendo que foi “inteiramente apropriado” atingir posições militares depois de o regime de Kadhafi ter falhado em implementar um cessar-fogo.

No relatório parlamentar, os deputados assinalaram que o Governo britânico “não conseguiu verificar a ameaça real que o regime de Kadhafi representava para os civis; tomou em consideração, de maneira seletiva, certos elementos da retórica de Muammar Kadhafi; [e] falhou em identificar as fações islamitas radicais no seio da rebelião”.

No mesmo documento, os deputados britânicos consideram que o então primeiro-ministro poderia ter privilegiado outras opções que teriam tido melhores resultados, considerando que David Cameron é, “em última instância, responsável pela incapacidade de desenvolver uma estratégia coerente na Líbia”.

Defendendo a sua decisão, o Governo britânico afirmou que a grande maioria do povo que se opunha a Kadhafi não estava ligada a movimentos extremistas e que o Estado Islâmico está atualmente “em regressão na Líbia”.
Cinco anos após a deposição e morte do antigo líder do país, o caos continua a reinar na Líbia, país rico em petróleo e onde o Governo de União da Líbia, apoiado pela ONU e comunidade internacional, tem dificuldades em impor a autoridade sobre todo o país depois da sua instalação, em março, em Trípoli.