Carla Costa é a inspetora da Polícia Judiciária (PJ) responsável pelo Grupo de Prevenção e Luta contra a Fraude no Serviço Nacional de Saúde e fala em vários esquemas de fraude e burla nas farmácias, queixando-se do tempo que as autoridades demoram a responder a esses processos. “Sabemos que há um infrator, está a cometer fraude mas, mensalmente, o Ministério da Saúde continua a pagar“, diz numa entrevista ao jornal i.

“Há farmácias em fraudes que estão a funcionar normalmente”, afirma Carla Costa queixando-se não poder “fazer nada. É espantar a caça”. A inspetora da PJ diz que entre a denúncia e a intervenção das autoridades chega “a passar um ano” e defende que existam logo medidas de coação sobre as farmácias apanhadas em falta, por exemplo, argumentando com a necessidade de “encurtar o tempo [de espera pela ação consequente] e ter uma atuação corretiva”.

Como exemplo de fraudes recorrentes no meio, Carla Costa fala sobretudo nas faturações falsas, mas também nos riscos trazidos pelas vendas simuladas (suspensas) nas farmácias. E envolvendo mesmo médicos que “podem nem ter consciência que estão a passar receituário para que a farmácia comenta um crime”, ao aceitar passar receitas sem ver o doente. Quanto às vítimas, a inspetora diz que são todos os “que pagam impostos”.

Além disto, outra das áreas em que o grupo que lidera está a “reforçar a monitorização” é sobre utentes que passam à frente em listas de espera para as cirurgias. “São situações que ainda estão em investigação , de doentes que vêm do privado e passam à frente na lista de espera para a cirurgia em hospitais públicos”. Os casos, diz Carla Costa, “foram sinalizados no ano passado” e ainda não foi possível “extrair conclusões”.