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José Maria Ricciardi foi ouvido no passado mês de fevereiro no âmbito da Operação Marquês, num testemunho que se terá prolongado por vários dias, conta o Correio da Manhã na sua edição de hoje. O antigo banqueiro — que liderou o ex-Banco Espírito Santo de Investimento (BESI), que passou depois a banco Haitong — e primo de Ricardo Salgado terá sido inquirido sobre vários negócios que envolveram a Portugal Telecom (PT).

Entre esses negócios, estão a venda da Vivo à Telefónica e compra da Oi pela PT, nos quais o banco de investimento esteve envolvido, mas também houve questões à volta da ES Enterprises, o chamado saco azul do Grupo Espírito Santo (GES) de onde terá saído dinheiro para José Sócrates, Zeinal Bava e Henrique Granadeiro. De acordo com o mesmo jornal, o depoimento de José Maria Ricciardi — que não é arguido neste processo — terá sido favorável à linha da investigação.E, durante os vários dias em que testemunhou, o ex-banqueiro ter-se-á sempre distanciado da sociedade secreta do Grupo Espírito Santo (GES), criada em 1993 para alegados pagamentos irregulares.

Toda a história do ‘saco azul’ do GES

A inquirição pelo procurador Rosário Teixeira e pelo inspetor tributário Paulo Silva, seguiu-se às buscas no banco Haitong, durante as quais foram apreendidos documentos relacionados com os negócios da PT, em 2010, e a OPA lançada pela Sonae em 2006 e chumbada em 2007, operações que estão sob suspeita no processo que tem como principal arguido o antigo primeiro-ministro José Sócrates. Já Ricardo Salgado é suspeito de ter corrompido Sócrates, a partir de 2006, na sequência da OPA da Sonae sobre a PT. O BES era um dos acionistas de referência da PT, empresa que aplicou vários milhões de euros em dívida de empresas do GES.

A Operação Marquês e os negócios (ruinosos) da PT no Brasil