Uma máquina Enigma do regime nazi foi confundida com uma vulgar máquina de escrever, na Roménia. Um professor de criptografia encontrou o equipamento à venda numa feira de rua por 100 euros e arrecadou depois cerca de 50 mil euros num leilão. As máquinas Enigma eram utilizadas pelas forças armadas do Eixo durante a II Guerra Mundial para codificar e descodificar mensagens, de forma a que os Aliados não as conseguissem decifrar.

O facto de ter sido encontrada na Roménia não é surpresa: o país de leste foi aliado da Alemanha nazi no conflito internacional durante um período, até que se virou para o outro lado da barricada. Como muitas das máquinas foram destruídas pelos nazis, os colecionadores estimam que apenas cerca de uma centena tenha escapado aos alemães – e estão por descobrir.

Esta, agora vendida em leilão por cerca de 50 mil euros, foi encontrada numa feira de rua por um professor de criptografia, que sabia bem o que estava a comprar, garantem os responsáveis da casa leiloeira Artmark, em Bucareste. Isso não o impediu de dar apenas 100 euros pelo equipamento histórico.

As máquinas Enigma foram em parte responsáveis pelo avanço das forças armadas do Eixo e, apesar de a Itália e o Japão terem tido as suas variações do equipamento, a versão alemã ainda é tida como a mais fiável (e difícil de decifrar).

O aparelho utilizava um sistema de rodas mecânicas (o número de rodas dependia do modelo), que a cada letra escrita atribuía uma outra letra ou número. Para decifrar, era preciso saber com precisão o alinhamento das rodas mecânicas. Caso contrário, a mensagem continuaria cifrada. Nos modelos mais avançados, um quadro elétrico permitia que a codificação fosse ainda mais difícil de decifrar, uma vez que o esquema poderia ser trocado a qualquer momento.

A descodificação das máquinas Enigma foi, nos últimos anos da II Guerra Mundial, uma prioridade para os países Aliados. Foi graças aos esforços do matemático britânico Alan Turing que a máquina foi, pela primeira vez, decifrada. Historiadores acreditam que esse avanço encurtou o conflito em dois anos. Alan Turing acabou por ser condenado por “atos homossexuais” em 1952, quando ainda era crime no Reino Unido. Submeteu-se a castração química para evitar a prisão e morreu por intoxicação de cianeto. Só em 2009 foi feito um pedido de desculpas póstumo e a Rainha Isabel II perdoou-o em 2013. Já em 2017, a lei que perdoa retroativamente todos os homens condenados por atos homossexuais no passado é conhecida como “a lei Alan Turing”. A história do seu contributo na II Guerra Mundial foi a premissa do filme “O Jogo da Imitação”.