O combate ao fogo da Sertã, distrito de Castelo Branco, que levou à retirada de pessoas das habitações, está a ser dificultado pelo vento e obrigou a reforçar meios, disse hoje fonte da Autoridade Nacional da Proteção Civil (ANPC).

“O incêndio está a arder com muita complexidade e muita violência e o combate não está a ser facilitado pelo vento, que está a gerar novos focos de incêndios”, afirmou à agência Lusa Patrícia Gaspar, adjunta de operações da ANPC.

O fogo, que pelas 19:00 estava a ser combatido por 731 operacionais, 234 veículos e 12 meios aéreos, mobilizava 995 homens e 322 veículos às 22:47.

Patrícia Gaspar precisou que o fogo ameaçava localidades e obrigava à retirada de pessoas das suas habitações, sem precisar quais.

As chamas obrigaram ao corte do IC8, em Proença-a-Nova, à Estrada Nacional EN3 entre as localidades de Arnadas e Perdigão, em Vila Velha de Ródão, e às Estradas Municipais 536, em Cimadas Cimeiras, Proença-a-Nova, 545, entre Alvaiade e Bugios, Vila Velha de Ródão, e 546, em Bugios, Castelo Branco, de acordo com fonte oficial do comando-geral da GNR.

Também a autoestrada A23 se mantém cortada entre Perdigão e Vila Velha de Ródão, devido ao incêndio que consome desde as 17:55 povoamento florestal em Castelo Branco e que mobilizava 307 homens e 99 veículos, pelas 22:47.

Incêndio na Sertã com três frentes ativas

O incêndio da Sertã, no distrito de Castelo Branco, tem três frentes ativas. De acordo com Patrícia Gaspar, comandante da Proteção Civil, espera-se que “as condições meteorológicas” que se farão sentir ao longo dia de hoje possam ser “desfavoráveis para a evolução do incêndio”.

Não temos indicação de situações críticas em curso”.

Tendo isto em conta, todos os dispositivos irão manter-se no terreno, incluindo aqueles que se encontravam nos fogos atualmente dominados, como o de Gavião e Vila Flor. Foram ainda acionados seis pelotões militares “para as operações de rescaldo e vigilância, para garantir que são detetadas todas as reativações”.

Patrícia Gaspar esclareceu ainda que, durante a noite passada, foi necessário garantir a proteção de várias aldeias junto ao incêndio da Sertã. Dez pessoas foram deslocadas, mas a maioria já regressou a casa.

O vento forte que se fez sentir ontem no terreno, e que dificultou o combate aos incêndios, deverá continuar esta segunda-feira. No domingo, o vento foi “entre moderado e forte” e as rajadas de vento “chegaram a atingir os 65 km/h”.

O vento é o que mais nos preocupa“, afirmou Patrícia Gaspar.

As condições meteorológicas têm “um impacto muito direto” na forma como se propagam os fogos, provocando “projeções” que acabam por “desencadear novos focos de incêndio”. Foi esse cenário que levou a que os meios estivessem permanentemente a ser reposicionados ao longo do dia de ontem.

Junto ao posto de comando na Sertã, está também, de prevenção, um dispositivo do INEM, com uma viatura médica, uma viatura de suporte imediato de vida (SIV) e quatro ambulâncias, pronto a atuar caso seja necessário.

Esta segunda-feira, estão ativos 17 incêndios que estão a ser combatidos por 1765 operacionais, 537 viaturas e 14 meios aéreos. Os distritos que mobilizam mais meios são os de Castelo Branco, Coimbra e Portalegre. Nestes três distritos, estão mobilizados 1 659 operacionais.

Questionada sobre o número de mortos no incêndio em Pedrógão Grande, Patrícia Gaspar voltou a reforçar — tal como a Proteção Civil já o tinha feito durante o fim de semana — que se contabilizam 64 mortos. Este número, acrescentou, foi apurado pelas entidades competentes, nomeadamente os Ministérios da Saúde e da Justiça, e de acordo com “critérios definidos” — são vítimas que morreram com queimaduras e por inalação de fumo.

Lista de mortos de Pedrógão Grande exclui 65ª vítima, que morreu a fugir do incêndio

A comandante da Proteção Civil sublinhou ainda que não foram detetadas falhas no SIRESP nos incêndios de ontem.

Notícia atualizadas às 23h36 com os dados sobre o vento e o reforço de meios.