O cardeal George Pell, chefe das finanças do Vaticano, compareceu esta quarta-feira num tribunal em Melbourne, numa sessão preliminar ao julgamento, em que vai responder por acusações de pedofilia.

Pell esteve seis minutos no tribunal, que ordenou à polícia que entregasse todas as provas aos seus advogados antes de 8 de setembro e convocou todas as partes para o início do julgamento, a 6 de outubro. O cardeal, vestido com um casaco preto e colarinho clerical, escoltado por polícias e pelos seus advogados, não fez declarações no tribunal, onde também se encontravam as vítimas que o acusam de alegados abusos sexuais.

Para evitar dúvidas e por causa do interesse que o tema tem, posso indicar que o cardeal Pell vai-se declarar inocente de todas as acusações e manter a presunção de inocência”, afirmou o advogado, Robert Richter.

À porta da sede judicial, foi cercado por diferentes grupos de pessoas que protestaram a favor e contra. Dezenas de media locais e internacionais começaram a juntar-se na entrada às 6h00, mas nenhuma pergunta foi respondida pelo Cardeal.

Um protestante segura um cartaz à chegada do Cardeal Pell (Photo credit should read MAL FAIRCLOUGH/AFP/Getty Images)

Em resposta às acusações, Pell disse ter sido vítima de “implacável assassínio de caráter” e insistiu que o caso “fortaleceu a sua determinação” para provar a sua inocência. O cardeal australiano foi formalmente acusado a 29 de junho pela polícia, e no dia seguinte, a partir de Roma, defendeu a sua inocência numa conferência de imprensa. Pell, considerado o número três do Vaticano, regressou à Austrália no dia 10 de julho.

As autoridades ainda não revelaram o número de acusações de pedofilia contra Pell, nem o período em que alegadamente ocorreram.

Já não é a primeira vez que o agora cardeal é acusado de abusos sexuais, já que em 2002, quando era arcebispo de Sydney, um homem disse ter sido abusado sexualmente por ele em 1961, quando tinha 12 anos. No passado, as investigações ilibaram o sacerdote.

Pell foi sacerdote na sua cidade natal de Ballarat (1976-1986), no estado australiano de Victoria, e arcebispo de Melbourne entre 1996 e 2001. Foi nomeado cardeal pelo papa João Paulo II em 2003 e há três anos foi escolhido pelo papa Francisco para a secretaria de Economia da Santa Sé, um posto criado para sumo pontífice para enfrentar os escândalos em torno das finanças do Vaticano.