O Governo, que criou o Fundo Revita para receber e gerir os donativos entregues para ajudar as vítimas dos incêndios de junho nos concelhos de Castanheira de Pera, Figueiró dos Vinhos e Pedrógão Grande, já tinha revelado que o valor recebido ascendia aos 2 milhões de euros. Agora, três meses depois dos fogos e semanas depois da polémica sobre alegados desvios de apoios, que levou Marcelo Rebelo de Sousa a pedir um esclarecimento público sobre o assunto, é finalmente apresentado o primeiro “balanço de intervenção” do fundo.

Em comunicado enviado este sábado para as redações, o Instituto da Segurança Social informa que foram cerca de 30 as entidades que aderiram ao Revita, com donativos em dinheiro, em bens e em prestação de serviços, ascendendo as doações em dinheiro aos 2.034.309 euros.

No site do fundo é possível consultar a lista detalhada de doadores — e os valores por eles entregues às vítimas dos incêndios. Entre eles há sete entidades bancárias, incluindo o francês Banque BCP, que ajudou com 37.117 euros, e o Banco de Portugal, que doou 61.818,52 euros.

Ao todo são 31 os nomes na lista, que inclui também doações de empresas, como a Fnac, a Essilor, a IKEA ou a Samsung, que ajudou com “bens e serviços com valor indicativo de 100.000 euros”; de associações culturais ou desportivas, como o Clube de Cicloturismo de Pombal, que entregou 1.520 euros; e até privados, alguns anónimos, como o que doou 5 mil euros, outros não, como Carlos Trindade Vila, que ajudou com 25 euros.

“De modo a contribuir para uma maior eficiência na gestão dos donativos, foram estabelecidos protocolos com outras entidades, como a Cáritas Diocesana de Coimbra e a União das Misericórdias Portuguesas em conjunto com a Fundação Calouste Gulbenkian, que agregaram outros donativos, sendo responsáveis pela sua gestão”, pode ler-se no comunicado, que explica ainda que também nos municípios vizinhos de Góis, Pampilhosa, Sertã e Penela estão a ser recuperadas e reconstruídas casas afetadas pelos incêndios.

Diretamente a seu cargo, o fundo Revita tem a reabilitação de 56 casas, na maioria “reconstruções integrais”. “Ainda que a execução financeira seja naturalmente mais faseada, estão neste momento em condições de passagem à fase de pagamento 23 processos”, pode ler-se no texto enviado às redações.

No conjunto de todos os fundos e entidades gestoras há 199 casas de primeira habitação aptas para reconstrução — “95% estão em andamento, com obras em projeto, em consulta de preço, adjudicação, consignadas, em execução ou concluídas”. “Deste conjunto destacam-se as 73 casas que se encontram em fase mais avançada, nomeadamente 24 habitações com obra consignada, 30 com obra em execução e 19 concluídas”, especifica o comunicado.

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