A Amnistia Internacional alerta que, em três semanas, o êxodo da minoria ‘rohingya’ de Myanmar superou o total de refugiados que chegaram à Europa em 2016, revelando o “falhanço total” dos líderes mundiais na crise migratória.

Quem são os rohingyas e por que fogem de Myanmar?

Num comunicado divulgado esta segunda-feira, no início da semana em que decorre a 72.ª assembleia-geral das Nações Unidas, a Amnistia Internacional (AI) relata que quase 379 mil pessoas, a grande maioria da etnia ‘rohingya’, fugiram para o Bangladesh desde 25 de agosto, quando eclodiu uma nova vaga de violência no estado de Rakhine, até 12 de setembro.

Um número que supera os 362 mil refugiados que chegaram por mar à Europa, no ano passado, segundo a organização de defesa dos direitos humanos.

Para a ONG, os ‘rohingyas’ estão a ser vítimas de crimes contra a Humanidade, perpetrados pelas forças de segurança de Myanmar.

“Depois de serem sujeitos a uma violência terrível, incluindo matanças e terem as suas aldeias incendiadas, estes refugiados rohingya enfrentam agora uma crise humanitária no Bangladesh, que luta para os apoiar”, alerta o secretário-geral da AI, Salil Shetty.

Em setembro de 2016, o então Presidente norte-americano, Barack Obama, promoveu uma cimeira dedicada à crise migratória, na qual a comunidade internacional se comprometeu a acolher 360 mil refugiados, duplicando o número do ano anterior.

“Desde então, muitos governos não só falharam em responder efetivamente à crescente crise migratória como se superaram uns aos outros no desrespeito pelos direitos dos refugiados e foram incapazes de lidar com novas crises em todo o mundo”, considera a organização.

A AI dá o exemplo da decisão do Presidente dos EUA, Donald Trump, de reduzir para metade a promessa do seu antecessor de acolher 110 mil pessoas este ano.

A política norte-americana em relação aos refugiados tem de ser vista num contexto global: na sombra das cruéis políticas de Trump, outros países em todo o mundo continuaram a desumanizar refugiados e viraram-lhes as costas”, sustenta Shetty, que menciona os centros de detenção de refugiados nas ilhas australianas ou o abuso a que refugiados são sujeitos por grupos criminais na Líbia.

Na assembleia-geral desta semana, os líderes mundiais deverão discutir a situação em Myanmar e a “resposta ilegal e completamente desproporcionada [do exército de Myanmar] a ataques de grupo armado ‘rohingya'”.

“Em vez de participarem em cimeiras para darem apertos de mão e fazerem promessas que não têm intenção de cumprir, os chefes de Estado deveriam mostrar alguma liderança”, insta Shetty, que pede “um plano para proteger os civis no conflito, acabar com os crimes contra a humanidade e implementar soluções apropriadas para refugiados”.

“Caso se tenham esquecido, é para isso que servem as Nações Unidas”, sustenta o responsável da AI.