Maria Filomena Mónica não tem problemas em assumir-se como ” um bocadinho snob intelectual”. Mas não como “snob social”. “Não, de todo”, garante a socióloga. Foi a primeira doutorada em Sociologia em Portugal, área que escolheu “porque era proibida pelo Salazar”.

Em entrevista em direto no Observador, a propósito da reedição da sua autobiografia “Bilhete de Identidade” (Alêtheia Editores), falou do livro que tantas críticas lhe mereceu quando foi publicado e das novidades desta nova edição: os diários da sua adolescência e “correspondência” que nem sabe como encontrou, uma vez que se considera a pessoa “mais desarrumada do mundo”.

“Eu queria isto fosse um livro bem escrito, que descrevesse como era ser rapariga nos anos 40”, explica.

A socióloga abordou ainda questões como a infância, a relação com a mãe e o “casulo” em que diz que ela a colocou, o choque que foi confrontar-se com a pobreza durante a adolescência, o papel da mulher e da sexualidade: “O olhar do mulher sobre o homem está carregado de sexualidade, nós é que não admitimos”.

A atual situação política também foi abordada: da saúde à educação, passando por Passos Coelho, António Costa, a geringonça e a eleição de Isaltino Morais para a câmara de Oeiras. “Não votava porque ele [Isaltino Morais] é corrupto, corrupto provado em tribunal, e eu não voto em corruptos.”

Maria Filomena Mónica falou ainda do cancro, que lhe foi diagnosticado há três anos, do Serviço Nacional de Saúde, da morte e de António Barreto, com quem namorou durante 17 anos antes de se casarem. A pessoa que, diz, tem sido o seu grande apoio na doença: “Eu, sem o António, já tinha morrido”.

A entrevista completa a Maria Filomena Mónica será publicada nos próximos dias