Entre a Operação Marquês e o Orçamento do Estado, a corrida à liderança do PSD acabou por ficar “espremida” em termos de atualidade, mas nem por isso esquecida e, esta noite, houve mais capítulos para a contagem de espingardas que se vai fazendo no partido à sucessão de Pedro Passos Coelho: Manuela Ferreira Leite, antiga líder dos sociais democratas, declarou o apoio a Rui Rio; Miguel Relvas, ex-ministro e número dois do elenco, prefere Santana Lopes.

“Foi uma surpresa porque não era previsível, tinha sido reconduzido há menos de um ano numa instituição muito importante [Santa Casa da Misericórdia]. Já perdeu várias vezes, o que mostra o seu instinto lutador, mas se me tivesse perguntado há oito dias não esperava. Em relação a Rui Rio, não foi inesperado, posso dizer que fez um discurso de apresentação muitíssimo bom, marcou bem o que quer para o partido e transmitiu a ideia de unir as pessoas. Quando olho para os dois candidatos, não é fácil aparecer um novo candidato”, destacou Manuela Ferreira Leite no habitual espaço comentário na TVI 24.

“Estamos a eleger o candidato a primeiro-ministro, nas próximas eleições legislativas. Rui Rio tem bastantes mais condições, também pelo percurso profissional, uma credibilidade superior e Santana Lopes, quando avançou, José Sócrates teve maioria. Mesmo admitindo que Santana Lopes tem mais popularidade entre os militantes do PSD do que Rui Rio, tenho poucas dúvidas de quem é que tem uma imagem mais sólida perante o país para desempenhar o papel de primeiro-ministro”, acrescentou a ex-líder dos sociais democratas.

“Neste cenário, a minha intuição vai no sentido de que Pedro Santana Lopes terá um resultado ganhador e positivo nas próximas eleições e eu, como militante, se este for o entendimento dentro do quadro que está apresentado, naturalmente que votarei nele”, afirmou Miguel Relvas em entrevista à SIC Notícias.

“Não quero o PSD no Bloco Central, não quero a regionalização no meu país, que considero que é um fator de divisão e distorção”, completou o antigo número 2 de Passos Coelho, que referiu ainda não ter vontade de regressar à vida política ativa. “Ressentimentos? Não, nada… Com Passos Coelho? Somos amigos há 40 anos, tal como sou amigo há 40 anos de Rui Rio e sou amigo há 40 anos de Santana Lopes. Não há ressentimento nenhum”, assegurou.