Incêndios

“Seria mais fácil ir-me embora e ter as férias que não tive, mas agora não é altura de demissões”

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Ministra diz que a sua saída "não ia resolver o problema" (a não ser o das férias que não teve). Nas últimas horas apontou o dedo ao clima, à preparação da Proteção Civil e até às populações.

Ministra da Administração Interna voltou a fazer ponto de situação, depois de uma reunião na Proteção Civil.

JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR

A ministra da Administração Interna rejeita a intenção de se demitir do cargo, quando pela segunda vez em apenas cinco meses incêndios de grandes proporções provocam um elevado número de vítimas mortais (31 pessoas morreram, de acordo com o balanço mais recente). Na madrugada desta segunda-feira, Constança Urbano de Sousa teve a garantia do próprio primeiro-ministro de que o seu lugar estava seguro e esta tarde, questionada sobre as condições políticas para permanecer à frente da Administração Interna atirou: “Para mim seria mais fácil, pessoalmente, ir-me embora e ter as férias que não tive, mas agora não é altura de demissões”.

“Não é nos momentos mais difíceis que as pessoas abandonam o barco. Não, não ia resolver o problema. O que precisamos de ter aqui são ações”, disse ainda. No meio político, até agora, apenas o CDS pediu a demissão de Constança Urbano de Sousa do cargo de ministra da Administração Interna. Já o pede desde a catástrofe de Pedrógão Grande e volta agora à carga.

No domingo à noite, numa entrevista à RTP, perante a mesma questão, Constança Urbano de Sousa tinha colocado de lado a hipótese de demissão, ainda que com uma frase não tão controversa: “Neste momento estou aqui em funções e estou a desempenhar o papel para o qual fui incumbida”. Disse também que, nesta fase, a sua “primeira responsabilidade é dar execução às grandes conclusões do relatório” da Comissão Técnica Independente sobre o incêndio de Pedrógão Grande, no final de julho, que provocou 64 vítimas mortais.

Mas, nessa entrevista, a ministra da Administração Interna explicou que, nos incêndios na zona centro e norte do país, os meios que estão no terreno “são possíveis para enfrentar esta situação que é caótica”. A pergunta que lhe tinha sido feita era se o dispositivo que estava no terreno era o necessário ou o possível.

Também disse que, “apesar de todas as proibições prolongadas até ao final do mês, se continua a assistir a muitas ignições que não surgem do nada” e ainda apontou o dedo à forma como as populações reagem perante este tipo de adversidade: “Quero deixar um apelo às pessoas para que adequem os seus comportamento às situações que se estão a viver. Têm de colaborar com as autoridades e obedecer às ordens”, disse Constança Urbano de Sousa na estação pública de televisão.

A partir de Lisboa, depois de uma reunião com a Autoridade Nacional de Proteção Civil, ao início da tarde desta segunda-feira, Constança Urbano de Sousa defendeu que o caminho de mudanças estruturais que há a fazer para evitar situações como a da noite passada são, “além do ordenamento da floresta”, a “profissionalização dos bombeiros e habilitar as comunidades mais diretamente ameaçadas pelos fogos florestais para a defesa preventiva dos fogos”. Também falou na questão da prevenção e da organização da floresta: “Não se faz de um dia para o outro, nem de um ano para o outro”. Mas admitiu que os incêndios que têm devastado o país têm também de servir para “tirar as lições no que diz respeito à preparação do nosso sistema de Proteção Civil, muito assente no voluntariado, sobre a sua adequação aos novos tempos”.

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