O embaixador da União Europeia (EU) no Brasil, João Cravinho, disse esta terça-feira à Lusa que há 60% de hipóteses de que um acordo comercial entre o bloco europeu e o Mercosul seja concluído ainda neste ano.

“Em 2017, eu diria que existem 60% de hipóteses [do acordo sair]. Isto mostra que sou mais otimista do que pessimista, mas mostra também que temos um trabalho muito sério, que existem muitas problemas e que a aproximação de algumas posições ainda está por fazer”, afirmou.

O Mercosul (bloco comercial formado pelo Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai) e a UE estão a discutir um acordo comercial há quase vinte anos, mas as negociações voltaram a gerar um esforço maior de ambos os lados em 2016, em virtude de mudanças no cenário político e económico global.

João Cravinho mencionou que as questões discutidas são muito complexas, mas que há acordo em diversas matérias.

O embaixador disse que “é importante que o acordo tenha uma grande abrangência e englobe não só comércio de bens e tarifas, mas também serviços, compras públicas, indicadores geográficos e propriedade intelectual. Que seja moderno e parecido com aquele que a UE tem com o Canadá, Japão e a Coreia do Sul”.

“Uma das coisas que estamos em sintonia com o Brasil e com o Mercosul é que temos que demostrar que podemos ter uma globalização que funciona e produz resultado positivo para nossas populações. Isto significa uma globalização com regras. Queremos estabelecer com o Mercosul um acordo que nos permitam baixar barreiras comerciais e proteger os interesses das nossas populações”, acrescentou.

O embaixador a UE no Brasil fez questão de negar a possibilidade de haver o anúncio de um acordo preliminar entre os dois blocos na próxima reunião da Organização Mundial do Comércio (OMC), em Buenos Aires, na Argentina, marcada para os dias 10 e 13 de dezembro.

“Ou há acordo ou não há acordo. Pré-acordo não existe. Naturalmente que se houver um acordo no plano político, depois ainda serão preciso dois meses para se limarem as arestas (…). É muito importante esclarecer que não haverá um acordo preliminar”, frisou. lembrando que a partir de quarta-feira começa uma nova ronda de negociações com a participação de ministros da UE.

“Amanhã [quarta-feira] começará uma nova ronda negocial em Bruxelas que será maior do que as anteriores e terá a duração de nove dias. Usaremos o máximo de tempo possível para chegar a um entendimento. Antes de ir a Buenos Aires queremos limpar o terreno”, destacou.

João Cravinho destacou que, do ponto de vista da UE, não será dramático se o acordo entre os dois blocos acontecer apenas no próximo ano.

“Eu creio que nos próximos nove dias se define se fechamos o acordo em 2017. Acho que se nós fecharmos [o acordo com o Merocosul] em 2018, ao fim de tantos anos de negociação, não será dramático e poucos se importarão com isto”, concluiu.