É o clube daquela que é conhecida como “cidade das bruxas”, Benevento (sul de Itália) e parecia estar mesmo embruxada a sua primeira vez no primeiro escalão da liga italiana de futebol. Depois de, em duas épocas, ter galgado da terceira para a série A, o Benevento Calcio deixou de brilhar e estava há 14 jogos sem pontuar, ou seja, ainda não tinha somado um único ponto desde que está entre os grandes do campeonato italiano. Mas o feitiço não resistiu à cabeçada de Alberto Brignoli, o guarda-redes da equipa que, mesmo ao cair do pano, marcou o golo do empate contra o AC Milan (ficou 2-2).

A história tem todos os contornos de um bom drama futebolístico. O campeonato italiano contava com 14 jornadas e o Benevento Calcio somava 14 derrotas. Já tinha batido o recorde do Manchester United (intocado desde a época de 1930/31), num campeonato que nenhuma equipa quer liderar: o das equipas europeias (dos principais campeonatos) com pior arranque de sempre. Os “feiticeiros” (assim são conhecidos) caíam com estrondo, depois de uma ascensão promissora à série A e continuavam sem conseguir pontuar. Mas este domingo, no último minuto do tempo extra, Brignoli achou que não tinha nada a perder e colocou-se na área à espera que o seu colega de equipa, Cataldi, cobrasse a falta ali perto, à boca do perigo. Valeu a pena.

O cruzamento rasgou a área e Brignoli apareceu em voo em direção à bola que entrou pelo canto inferior da baliza, sem dar hipótese a Donnarumma. O guarda-redes do Milan nem teve tempo de reagir, como se pode ver nas imagens que, em poucos minutos, foram partilhadas em catadupa nas redes sociais. “É difícil de descrever! Fui lá à frente na esperança de ser bem sucedido”, disse o guarda-redes, depois de terminado o jogo, em declarações à Sky Sport.

“Estávamos no minuto 90’+5 e que nada tínhamos a perder. Fui lá, saltei e fechei os olhos. Foi mais um mergulho à guarda-redes do que à avançado”, admitiu o herói do jogo que se transformou também no primeiro-guarda-redes a marcar na série A desde 2001 — anos em que Massimo Taibi, do Reggina, conseguiu a mesma proeza.

Nos último jogos, a sorte tinha fugido ao Benevento sempre nos minutos finais do jogo, um feitiço a que Brignoli deu a volta com a mesma medida de drama. “Teria sido terrível perder este jogo, pois aconteceu-nos tantas vezes nos últimos segundos que já não merecemos mais. Hoje foi a nossa vez e recuperámos um pouco do que perdemos”, afirmou no final do encontro, convicto que a equipa provou ainda mais: “Mostrámos que temos capacidades para nos batermos com qualquer adversário e que só precisamos de um pouco de sorte para entrar no caminho certo”. O adversário era o (histórico) AC Milan que estreava um novo treinador, Gennaro Gattuso. O azar mudou de mãos?