O dérbi de Manchester teve um pouco de tudo: golos, erros individuais, grandes jogadas, fantásticas defesas (a dupla intervenção de Ederson a seis minutos do final é um momento fabuloso que decide a partida), uma dose q.b. de entradas mais duras típicas de um jogo desta natureza, polémica com a arbitragem. Mas a verdade é que o duelo entre United e City (1-2) acabou por ter momentos antagónicos. Exemplo? Apesar de estarmos perante alguns dos melhores executantes do futebol mundial, os golos nasceram de lapsos quase infantis e dois em três foram de bola parada. Mas essa não foi a única antítese da tarde: se, após o apito final, imperou no relvado o fair-play, o que se passou minutos depois na zona dos balneários não tem nada a ver com isso.

No final, José Mourinho mostrou-se agastado com a forma como tinha sofrido os dois golos e com um penálti (nítido, por pisão de Otamendi sobre Herrera) não assinalado que teve influência no triunfo do conjunto de Pep Guardiola – que passa a ter 11 pontos de vantagem no topo, um avanço que pode ser decisivo rumo ao título –, mas pior tinha ficado antes, quando ouviu os festejos ruidosos vindos do balneário dos rivais. O português terá então chegado junto dessa zona para pedir mais respeito e tato na hora de ganhar. Ederson não gostou e respondeu (tudo em português, de acordo com os britânicos). E assim começou toda a confusão.

Mostra algum respeito! Quem és tu?”, terá gritado Mourinho para Ederson durante a guerra de palavras, já depois de ter acusado o guarda-redes de fazer anti-jogo.

De acordo com o Telegraph, Mourinho terá sido atingido com uma garrafa de água e com leite, o que motivou uma primeira intervenção dos elementos da segurança do estádio. Mas entre muitos objetos a voar, um causou mais “mossa”: Mikel Arteta, antigo médio do Arsenal e do Everton que é hoje adjunto de Pep Guardiola, saiu da zona com sangue a escorrer da cara. O avançado Roman Lukaku terá sido outro dos principais intervenientes nas escaramuças que obrigaram mesmo à intervenção das forças policiais.

O The Guardian diz que participaram nessa luta na zona dos balneários cerca de 20 pessoas, entre jogadores e elementos do staff das duas equipas, e dá mais alguns pormenores: Kun Agüero e Bernardo Silva não estavam no balneário quando tudo começou; houve também muitos pacotes de leite pelo ar no meio da confusão; e, depois de todos os ânimos terem serenado, Mourinho foi à zona da cabine dos árbitros para se queixar do erro de Michael Oliver no lance entre Herrera e Otamendi na área do City, aos 79′. Uma das fontes referiu também à publicação que o belga Lukaku parecia estar numa típica luta de bar.

Recordando a “Batalha do Buffet” em 2004 (uma enorme pega entre elementos do Manchester United e do Arsenal na zona onde estava destinada comida para os jogadores que teve empurrões, troca de palavras, sopa de tomate e café a voarem e uma fatia de pizza em cheio da cara de Alex Ferguson), o Daily Mail acrescenta ainda que, não fosse a rápida intervenção de stewards e polícias, e tudo poderia ter sido ainda pior.