Óbito

Morreu escritor José Correia Tavares, vice-presidente da APE

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José Correia Tavares, poeta, romancista e jornalista, morreu esta quinta-feira, no hospital Egas Moniz, em Lisboa, vítima de acidente vascular cerebral. Encontrava-se internado desde dezembro.

Associação Portuguesa de Escritores

Autor
  • Agência Lusa

O vice-presidente da Associação Portuguesa de Escritores (APE), José Correia Tavares, morreu esta quinta-feira, no hospital Egas Moniz, em Lisboa, vítima de acidente vascular cerebral, informou a APE.

Poeta, romancista e jornalista, José Correia Tavares encontrava-se internado nesta unidade hospitalar de Lisboa desde dezembro, segundo fonte da associação.

Licenciado em Ciências Antropológicas e Etnológicas, José Correia Tavares nasceu em 1938, em Castelo Branco, onde fez os estudos primários e secundários, fixando-se em Lisboa após ter cumprido serviço militar em Angola.

É considerado, no meio literário, um dos pioneiros da chamada “literatura da guerra colonial”.

A par do ofício de escritor, foi tradutor, revisor, tendo ainda jovem desenvolvido atividade jornalística e artística. Foi igualmente técnico superior do Ministério da Educação. Era vice-presidente da APE desde 1990, a cuja direção já pertencia.

Autor de caricaturas, desenhos e ilustrações, coordenou também suplementos e publicações culturais. José Correia Tavares teve colaborações dispersas em jornais e revistas, sendo também autor de dezenas de poemas musicados e editados em disco.

Cooperador da Sociedade Portuguesa de Autores desde 1967, pertenceu ao conselho editorial da revista Mealibra, do Centro Cultural do Alto Minho, e à redação da revista da APE, O escritor.

Entre as obras que publicou contam-se “Dádiva” (1961), “A flor e o muro” (1962), “Três natais” (1967 e 1981), “Porcelama” (1972), “Beijos e pedradas” (1975 e 1990), “E não me tiveram” e “Fim de citação” (ambas de 1976), “Rio sem ponte” (1977), “Ganhar ofício” (1977), “Atraído ao engano” (1984), “O verso e o rosto” (1987), “Todas estas palavras” (1989) e “O Natal dos porcos” (2003).

Quando da publicação de “Leitura dos actos” (1999), com prefácio da investigadora Silvina Rodrigues Lopes, o autor Serafim Ferreira, cronista, jornalista e crítico literário, destacou “a visão irónica” de José Correia Tavares, e a sua escrita exata, na definição do “grande espetáculo do mundo, como um circo cheio de gente”, já que “tudo se denuncia” nos seus poemas.

José Correia Tavares era, por isso “um poeta de escárnio e mal-dizer”, que recuperou para a moderna literatura portuguesa, “a crítica mordaz, certeira e acutilante”, segundo Serafim Ferreira, antigo diretor da Volta a Portugal em bicicleta, que morreu em 2015.

O nome de José Correia Tavares figura ainda em diversas antologias, entre as quais “800 anos da poesia portuguesa”, “Um postal para Luanda” e “A jeito de homenagem a Eugénio de Andrade”.

Em comunicado, a APE refere o quanto todos lhe devem pelo trabalho que empreendeu na Associação ao longo de uma vida, e recorda a sua “afabilidade e energia”, e o seu “inestimável” “talento e apego às causas comuns”.

“A maior de todas as homenagens que podemos prestar-lhe, já dentro do que na saudade se fez dor, ‘mágoa sem remédio’, será sempre preservá-lo, nos passos de uma evidência invulgar, no que melhor empreendermos no tempo em devir”, lê-se no comunicado.

O corpo do escritor vai estar em câmara ardente na Igreja da Nossa Senhora da Ajuda, na Boa-Hora, em Lisboa, a partir das 19h00 de sexta-feira, realizando-se o funeral no sábado, às 12h30, para o cemitério do Alto de S. João, onde será cremado, disse à Lusa fonte da APE.

No comunicado, a APE expressa condolências aos familiares e solidariedade à filha do poeta, Natércia Tavares.

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