A Coreia do Norte está a planear disparar dezenas de mísseis de longo alcance numa parada marcada para 8 de fevereiro – o dia imediatamente antes do início dos Jogos Olímpicos de inverno, que têm lugar na Coreia do Sul. A CNN cita fontes diplomáticas que indicam que o desfile de armamento nuclear é uma tentativa de “assustar os americanos”.

A parada inclui o disparo de 15 mísseis intercontinentais Hwasong, que os norte-coreanos testaram pela primeira vez em novembro. O regime de Kim Jong-un já revelou a intenção de realizar um novo teste balístico “num futuro próximo”, para enviar uma mensagem às forças militares norte-americanas destacadas na região.

O anúncio surge horas depois do discurso do Estado da Nação, onde Donald Trump garantiu que não vai “repetir os erros das administrações passadas que nos levaram a esta posição muito perigosa”. Depois de criticar Cuba, Venezuela e Irão, o presidente dos Estados Unidos apontou a mira para a Coreia do Norte e afirmou que “só precisamos de olhar para o caráter depravado do líder norte-coreano para perceber os perigos da ameaça nuclear para a América e para os seus aliados”.

Trump referiu o caso de Otto Warmbier, o estudante norte-americano que foi preso na Coreia do Norte por ter alegadamente roubado propaganda do regime de Kim Jong-un. O jovem de 22 anos esteve preso 17 meses antes de regressar aos Estados Unidos, onde acabou por morrer poucos dias depois. Os pais de Otto Warmbier estavam na plateia do discurso do Estado da Nação, a convite de Donald Trump.

A cooperação entre as Coreias parecia ter chegado a uma nova fase nas últimas semanas, quando os dois países acordaram reunir-se para decidir uma participação conjunta nos Jogos Olímpicos de inverno, em PyeongChang. Mas esta segunda-feira, o regime de Kim Jong-un cancelou a presença no evento cultural que fazia parte da preparação para a competição desportiva. De acordo com um comunicado da Coreia do Sul, citado pela CNN, a participação norte-coreana foi cancelada porque “a comunicação social da Coreia do Sul continua a insultar as genuínas medidas da Coreia do Norte quanto aos Jogos Olímpicos de inverno”.

Os Estados Unidos – que assumiram o papel de moderador nas conversações entre as duas Coreias – já fizeram saber que a eventual parada militar pode minar a cooperação. Chad O’Carroll, diretor do Grupo de Risco norte-americano sediado em Seul, defendeu que “o atual apoio norte-americano à reaproximação intercoreana já começa a apresentar fissuras e vai ser seriamente testada no caso de uma grande parada na véspera dos Jogos Olímpicos”.

Ao contrário do que aconteceu em abril de 2017, quando a Coreia do Norte convidou várias agências de comunicação social para assistir e cobrir uma parada militar, esta vai ser totalmente fechada a qualquer cidadão estrangeiro.