Lançamentos

Tome nota: estes são os lançamentos de fevereiro

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O livro que deixou Donald Trump de cabelos em pé, a história da neta de Amon Göth que não sabia o nome do avô e a obra completa de Arthur Rimbaud: estes são alguns dos livros que vão sair este mês.

Não vão faltar bons lançamentos em fevereiro, entre ficção e não-ficção

Getty Images/iStockphoto/MaskaRad

Livros de ficção

É um dos lançamentos mais importantes em Portugal e provavelmente o mais relevante de fevereiro: a Relógio d’Água vai publicar a obra completa de Arthur Rimbaud, nunca antes disponível em português. O volume inclui todos os poemas em verso do poeta francês, escritos entre 1868 e 1873, e ainda Une saison en enfer (Uma temporada no inferno) e Illuminations (Iluminações), obras já publicadas em Portugal separadamente. Esta última é considerada um dos maiores trabalhos de Rimbaud e foi a última composta pelo francês antes de abandonar completamente a escrita, aos 21 anos de idade. Além da poesia, a edição da Relógio d’Água inclui ainda cartas escritas pelo poeta entre 1870 e 1875, os anos do seu curto período criativo.

Neste mês, a editora vai ainda lançar Sonhos Elétricos, de Philip K. Dick, O Manto, de Agustina Bessa-Luís (com prefácio de João Miguel Fernandes Jorge), Dicionário de Literatura Bloom, de Gonçalo M. Tavares, Na Primavera, de Karl Ove Knausgård, O Meu Amor Absoluto, de Gabriel Tallent, Marca de Água — Sobre Veneza, de Joseph Brodsky, e A China em Dez Palavras, de Yu Ha — um antigo dentista chinês que decidiu dedicar-se à literatura por estar farto de “olhar para a boca das outras pessoas o dia todo” –, entre outros. Pela Presença vai sair O Tatuador de Auschwitz, um romance de Heather Morris baseado na história verídica de Lale Sokolov.

Logo no dia 1 de fevereiro, a Porto Editora vai publicar Bangladesh, talvez e outras histórias, a estreia em Portugal de Eric Nepomuceno. O livro — que reúne os melhores contos do premiado tradutor e jornalista brasileiro — vai ser apresentado pelo autor no final de fevereiro, no Correntes d’Escritas, e em Lisboa alguns dias depois. Pelo festival literário da Póvoa de Varzim vai ainda passar Julieta Monginho, autora de Um Muro no Meio do Caminho, romance que gira em torno da questão dos refugiados e que será editado também este mês pela Porto Editora. A Livros do Brasil vai publicar o primeiro livro da trilogia autobiográfica ficcionada de Henry Miller, Sexus. Os dois outros volumes — Plexus e Nexus — devem sair até 2019.

Marca de Água — Sobre Veneza, um livro de viagens de Joseph Brodsky, vai sair este mês pela Relógio d’Água, cujo grande lançamento é, no entanto, a obra completa de Rimbaud

Na editora Dom Quixote, a grande aposta é Um Gentleman em Moscovo, o primeiro romance publicado em Portugal do escritor norte-americano Amor Towles. Muitas vezes descrito como “um romance histórico de humor”, Um Gentleman em Moscovo conta a história de um conde russo que, depois de escrever um poema que desagrada aos bolcheviques, é condenado a passar o resto dos seus dias no interior de um hotel. O livro foi um sucesso estrondoso nos Estados Unidos da América, tendo passado 46 semanas consecutivas no top dos livros mais vendidos. Nem Barack Obama ficou alheio ao romance, chegando mesmo a admitir que foi uma das obras que mais gostou de ler em 2017. A edição portuguesa, com tradução de Tânia Ganho, chega às livrarias no dia 6.

A 13 de fevereiro, a Dom Quixote vai publicar Os Que Sucumbem e os Que se Salvam, de Primo Levi, O Nervo Ótico, de María Gainza, e ainda A Febre das Almas Sensíveis, de Isabel Rio Novo, finalista do Prémio Leya (atribuído em 2017 a João Pinto Coelho). Mais para o final do mês, vai sair ainda A Filha, de Anna Giurickovic Dato, pela mesma editora. Pela mesma altura, deverá chegar às livrarias Poemas Reunidos, do ministro da Cultura Luís Filipe Castro Mendes. A edição é da Assírio & Alvim. A Coleção Essencial — Livros RTP vai continuar a aumentar em fevereiro com Se Isto é um Homem, de Primo Levi.

A Elsinore vai editar A Tempestade, um volume de contos inéditos de Maria Perezagua, considerada por Salman Rushdie como “uma das melhores na nova geração de escritores espanhóis”. “Misturando o insólito, a violência, a beleza, a esperança, a crueldade e o desespero, apresentam, tão dura como ela é, a parte negra da experiência humana, sem limar arestas ou evitar faúlhas, mas também sem negar a possibilidade de redenção, o reencontro e o amor”, refere a editora, que vai ainda publicar neste mês Homem-Tigre, de Eka Kurniawan.

A Cavalo de Ferro vai dar início à reedição das obras de Ferreira de Castro, “um dos autores incontornáveis da nossa literatura, precursor de novas correntes literárias realistas e influência decisiva para uma nova geração de escritores”. Além disso, vai ainda publicar Uma Biblioteca da Literatura Universal, do Prémio Nobel da Literatura Hermann Hesse, e A Maldição de Hill House, de Shirley Jackson. A ASA vai lançar Talento para Matar, um policial do britânico Robert Wilson inspirado num episódio protagonizado por nada mais nada menos do que Agatha Christie.

Homem-Tigre, de Eka Kurniawan, conta a história de duas famílias atormentadas ligadas por um casamento trágico. O romance vai ser publicado pela Elsinore

“O Homem partiu em busca de outros mundos, de outras civilizações, sem conhecer inteiramente os seus próprios recantos, os seus becos sem saída, os seus abismos, e sem saber o que está por detrás das suas portas negras.” É esta a sinopse de Solaris, um romance de Stanisław Lem, escritor de ficção científica de culto, que chega às livrarias em fevereiro, com chancela da Antígona. Traduzido pela primeira vez do polaco, por Teresa Swiatkiewicz, esta edição inclui ainda uma nota introdutória do ensaísta e tradutor argentino Alberto Manguel (que terá um novo livro também este ano).

A Bertrand vai publicar Semente de Bruxa, uma recriação da última peça de Shakespeare, A Tempestade, da escritora canadiana Margaret Atwood, autora de A História de Uma Serva, e Louca, um thriller (passado em Londres e na Sicília) de Chloé Esposito. Na Memória dos Rouxinóis, de Filipa Martins, conta a história de um matemático galego — Jorge Rousinol — que, apesar de sempre ter defendido o esquecimento como o melhor veículo para a tomada de decisões acertadas, decide, no final da vida, encomendar a produção de uma biografia. Vai sair pela Quetzal que, em fevereiro, vai ainda publicar Instantâneos, uma sequência de textos breves de Claudio Magris, nos quais o autor “disseca pequenos e grandes aspetos da vida quotidiana, da vida política e da nossa intimidade”, de acordo com a editora.

A Saída de Emergência via publicar A Revelação do Bobo, vol. 2, de Robin Hobb, e Sonho Febril, um romance vampiresco de George R. R. Martin publicado originalmente em 1982. A Guerra & Paz vai editar uma antologia de contos de Eça de Queirós — Adão e Eva no Paraíso, seguido de O Senhor Diabo e Outros Contos –, na mesma altura em que chega às livrarias uma nova tradução de Lord Jim, de Joseph Conrad, e de O Cão de Baskervilles, de Arthur Conan Doyle.

Pela Planeta vai sair Deixarás a Terra, um romance do jornalista e escritor peruano Renato Cisneiros baseado na história da sua família, uma das mais poderosas do Peru. “Um livro profundamente íntimo que revela anos de pesquisa familiar sobre uma intricada árvore geneológica”, refere a editora. Cisneiros também vai passar pelo Correntes d’Escritas, onde vai participar numa mesa redonda intitulada “Escrever é provocar o fracasso”, a 23 de fevereiro, antes de seguir para Lisboa, onde estará no dia 27. Outro autor que vai estar no Correntes é Hugo Mezena. O seu livro, Gente Séria, e O Filho das Sombras, de Juliet Marillier, vão ser publicados também pela Planeta.

A editora Alfaguara vai publicar, em fevereiro, o novo livro de Jonathan Safran Foe, Aqui Estou, a história de um escritor descendente de sobreviventes do Holocausto que é, ao mesmo tempo, “uma reflexão sobre amor, vida, morte, intimidade, família e tradição”. Apagar Estocolmo, do finalista do Prémio da Academia Sueca de Escritores Jens Lapidus, vai sair pela Suma de Letras. O livro Boneca de Kokoschka, de Afonso Cruz, vai ser reeditado pela Companhia de Letras.

Livros de não-ficção

Um dia, na Biblioteca Central de Hamburgo, Jennifer Teege deparou-se com um livro que chamou desde logo a sua atenção. Chamava-se A História de vida de Monika Göth, a filha de Amon Göth, comandante responsável pelo campo de concentração de Kraków-Płaszów, na Polónia (retratado no filme A Lista de Schindler). Jennifer não pôde deixar reparar na coincidência: a sua mãe também se chamava Monika e ela sabia que, antes de ser adotada, também usava o apelido Göth. Intrigada, Jennifer foi juntando as peças do puzzle até que chegou à terrível conclusão de que a Monika do livro era mesmo a sua mãe e Amon Göth o seu avô. Filha de um nigeriano e com formação feita em Israel, a primeira coisa que Jennifer Teege pensou foi “o meu avô podia ter-me matado”. A frase acabou ser escolhida para título do livro que relata a sua história, escrito em conjunto com Nikola Sellmair. A edição portuguesa de Amon: O Meu Avô Poderia Ter-me Matador chega este mês, com chancela da Vogais.

A Dom Quixote vai publicar, agora em fevereiro, Querida Ijeawele, um texto intimista onde a escritora Chimamanda Ngozi Adichie coloca 15 questões sobre o feminismo e a educação feminista. Pela mesma editora vai sair ainda Béla Guttmann: De sobrevivente do Holocausto a Glória do Benfica, uma biografia de David Bolchover, e Na Prática a Teoria é Outra, um volume que reúne todos os textos do jornalista, colunista e diplomata Victor Cunha Rego, entre 1957 e 1999. A edição, organizada por Vasco Rosa e André Cunha Rego, inclui prefácios de José Cutileiro, Otavio Frias Filho, Manuel de Lucena e José Miguel Júdice.

É um dos livros mais aguardados deste ano: Fogo e Fúria: Dentro da Casa Branca de Donald Trump, a edição portuguesa do polémico livro de Michael Wolff sobre os bastidores da Presidência Trump, chega às livrarias já em fevereiro. A edição é da Actual. Pela Gradiva vai sair Ao Encontro da História — O Culto do Património Cultural, de Guilherme d’Oliveira Martins. O livro, publicado numa altura em que se assinala o Ano Europeu do Património Cultura, trata-se de “um apelo a que a cultura seja compromisso, cuidado, atenção e conhecimento”, de acordo com a editora. Também pela Planeta vai sair Cardeal Cerejeira — Um Patriarca de Lisboa no Século XX Português, uma biografia de Luís Salgado de Matos, e As Razões do Amor, de Harry G. Frankfurt, no âmbito da coleção “Filosofia Aberta”.

A edição portuguesa de Fogo e Fúria: Dentro da Casa Branca de Donald Trump é da responsabilidade de Actual, uma chancela da Almedina

Em fevereiro, a Guerra & Paz vai estrear uma nova coleção de clássicos da não-ficção, intitulada “Grandes Livros”, com duas obras: Arte da Guerra, de Sun Tzu, e Memórias, de Raymond Aron. A Editorial Presença vai editar Requiem para o Sonho Americano, de Noam Chomsky, enquanto que a Porto Editora vai lançar O Terror Entre Nós, do correspondente da SIC Henrique Cynerman e do especialista em terrorismo Aviv Oreg. Este “explora as origens da Jiade Global, acompanha de perto os atentados que mudaram a face do mundo e prevê os próximos passos do terrorismo islamita no ocidente”, refere a sinopse.

A Antígona vai publicar A Honra Perdida do Trabalho. “Neste texto pioneiro e provocador, publicado na revista Krisis em 1991 (e redigido no outono de 1989, enquanto milhares de alemães escapavam ao socialismo real), Robert Kurz apresenta a crítica do trabalho como condição indispensável da crítica do capitalismo”, refere a editora. O livro chega às livrarias a 6 de fevereiro. Pelas Edições 70 vai sair Cinema clássico americano: Géneros e génio em Howard Hawks, de Carlos Miguel de Sá e Melo Ferreira, Investigações Filosóficas sobre a Essência da Liberdade Humana e os assuntos com ela relacionados, de F. W. J. Schelling, Que é uma coisa?, de Martin Heidegger, O Totemismo Hoje, Claude Lévi-Strauss, e Propedêutica Filosófica, de Georg Wilhelm Friedrich Hegel.

Livros infanto-juvenis

A Orfeu Negro Mini vai publicar Um Capuchinho Vermelho, de Marjolaine Leray, O Regresso da Baleia, de Benji Davies, e Um Dia de Neve, de Erza Jack Keats. Este último, publicado originalmente em 1963, é o primeiro livro com um protagonista negro na história do livro ilustrado. Pela Presença vai sair Onde Está o Wally? Em Hollywood, de Martin Handford.

A Bruxa Cartuxa no Hotel Assombrado, é o novo título das autoras de Uma Aventura, Ana Maria Magalhães e Isabel Alçada. Chega às livrarias a 6 fevereiro com chancela da Caminho. A Fábula vai publicar Começa numa Semente, de Laura Knowles. A Booksmile, por outro lado, vai editar O Tigre que veio para o Chá, de Judith Kerr.

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Aníbal Cavaco Silva

Indispensável /premium

Maria João Avillez
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Fica-se a conhecer a singularíssima relação que houve entre dois políticos, não quaisquer, Cavaco e Passos, e a aliança que teceram e nunca romperam. A visão é ampla e polifónica, goste-se ou não dela

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