A decisão era já esperada há alguns dias. E esta sexta-feira, adianta o Washington Post, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, aprovou mesmo a divulgação de um memorando onde o FBI é acusado de ter agido com motivações políticas quando resolveu vigiar Carter Page, antigo conselheiro (sobre política internacional) da campanha de Donald Trump — a policia federal desconfia que Page pode ser um espião russo e ter auxiliado na alegada ingerência do Kremlin nas eleições norte-americanas. Este memorando é polémico não só pelo teor das acusações, mas por ter sido elaborado por congressistas do Partido Republicano, entre eles Devin Nunes, responsável da Comissão de Serviços Secretos da Câmara dos Representantes e apoiante de Trump.

Antes mesmo da aprovação do memorando, o próprio FBI já havia reagido em comunicado na última quarta-feira. E acusou o Partido Republicano de manipulação. “Temos graves preocupações sobre omissões materiais de factos que têm um impacto fundamental no rigor [do memorando]”, lê-se.

Os congressistas republicanos que elaboraram o memorando garantem que o FBI não podia pedir a um tribunal especial que autorizasse a vigilância a Carter Page. E porquê? Segundo os republicanos, o pedido do FBI (apoiado naturalmente pelo Departamento de Justiça) assentou no relatório elaborado pelo espião britânico Christopher Steele, onde se denunciava a ingerência da Rússia nas eleições e a próximidade desta a elementos da campanha de Donald Trump — incluindo Carter Page mas não apenas. Sendo o relatório financiado em parte pelo Partido Democrata, o memorando tem, acusam os republicanos, outras motivações. Uma opinião diferente tem, naturalmente, o Partido Democrata, que explica (tal como o FBI) que o memorando oculta informação relevante e apenas visa descredibilizar a investigação.

Na votação em que foi aprovada a divulgação do memorando, os congressistas republicanos reprovaram a divulgação de um outro, do Partido Democrata, que rejeitava qualquer motivação política da polícia federal e do Departamento de Justiça.

A relação entre a Casa Branca e o FBI está agora ainda mais tensa. E começou a deteriorar-se logo que Donald Trump, em janeiro do ano passado, assumiu a presidência. Desde logo, Trump despediu o diretor do FBI, James Comey, depois de este se ter recusado a abandonar a investigação a Michael Flynn, ex-conselheiro de Segurança Nacional da Casa Branca. Depois, Trump desentendeu-se com procurador-geral Rod Rosenstein. Foi Rosenstein quem renovou o pedido de vigilância a Carter Page, por exemplo, e é igualmente responsável pela nomeação de Robert Mueller como procurador especial responsavél por investigar as ligações da campanha de Trump à Rússia.