Divulgamos aqui o aspecto das frentes dos mini furgões Citroën Berlingo, Peugeot Partner e Opel Combo, todos eles pertencendo à PSA e partilhando a mesma base. Apenas o Combo não será montado entre nós, em Mangualde, mas os três possuem uma altura ao nível do eixo da frente superior a 1,10 metros, o que os promoveria a classe 2 nas portagens, caso não sejam introduzidas alterações ao sistema.

A PSA, depois de negociar longamente em segredo e tentar defender o óbvio – que não faz sentido a forma como se separa os veículos classe 1 dos classe 2 nas portagens nacionais –, conseguiu que o Governo cedesse. Ainda não há solução aprovada, mas já existe a garantia que os mini furgões produzidos na fábrica que o grupo francês possui em Mangualde vão ser considerados classe 1.

A classificação dos pequenos furgões da Citroën, Opel e Peugeot, em classe 1 ou 2, não é uma mera questão de pormenor. Na realidade, é mesmo o tudo ou nada, pois se forem considerados classe 1 têm à sua frente a possibilidade de vender em Portugal, como aconteceu até aqui com as gerações anteriores, o que não acontecerá caso sejam considerados classe 2. Daí a urgência em resolver a questão rapidamente, pois a produção dos veículos está em vias de arrancar e a PSA faz questão de não os produzir num país que tem um sistema de portagens que penaliza exactamente os veículos que incentivaram os fabricantes a montar no nosso país. Sendo que a produção estimada é de 100 mil unidades/ano, 20 mil das quais destinadas ao mercado português, prevê a PSA.

Não é a primeira vez que este tema é tratado entre os altos responsáveis do grupo francês e o Governo português. Já há meses, quanto foi decidido o investimento em Mangualde, para preparar a linha de montagem para acolher o novo veículo – que vai ser montado em Portugal apenas com emblema Citroën e Peugeot –, o CEO da PSA, Carlos Tavares terá explicado que o importante investimento partia do princípio que o modelo não iria ser marginalizado pelo sistema das portagens, que basicamente duplica os custos da utilização em auto-estrada e nas restantes vias com cobrança. Ao que nos foi dito, o Governo terá respondido, na altura, algo do género: “claro que sim”. Mas a realidade é que, passado quase um ano, tudo continuava na mesma.

Paralelamente, a ACAP criou um grupo de trabalho que produziu um documento (aparentemente com cerca de 140 páginas) em que explicava a ineficácia do sistema de separar os veículos da classe 1 e 2 apenas pela altura do capot da frente ao nível do eixo, considerando classe 1 os que ficassem abaixo de 1,10 metros. O extenso documento foi entregue ao Governo, onde era explicado que a maior altura da frente dos veículos modernos não se deve ao incremento da capacidade de carga, que possa degradar mais o piso das vias rápidas, tendo exclusivamente a ver com uma questão de estilo e, mais importante do que isso, com a necessidade de separar o mais possível o capot do motor que está por baixo, para melhor proteger o tronco e cabeça dos peões em caso de atropelamento. Com a associação a sublinhar que não faz qualquer sentido penalizar um modelo, apenas porque é melhor para a segurança dos potenciais atropelados.

Como nada aconteceu, a PSA arregaçou as mangas e disse as ‘palavras mágicas’: ou os nossos carros são considerados classe 1, ou digam adeus à produção em Portugal, pelo menos a prazo. E, desta vez, foi ouvida. Um pouco à semelhança do que já tinha acontecido com os monovolumes fabricados pela Autoeuropa, há uns anos atrás.