Morreu esta segunda-feira, aos 93 anos, o coronel João Varela Gomes, importante figura da resistência contra a ditadura de Salazar que esteve no Golpe de Beja com Humberto Delgado em 1961 e que ficou conhecido como uma das principais figuras do PREC — Período Revolucionário em Curso — como chefe da famosa 5.ª Divisão do Estado-Maior General das Forças Armadas. A notícia é avançada pela RTP.

Varela Gomes ficou sobretudo conhecido por ser o chefe da 5.ª Divisão do Estado-Maior General das Forças Armadas, uma divisão que tinha sido criada para organizar a informação e propaganda do Movimento das Forças Armadas (MFA) durante o PREC.

A 5.ª Divisão era responsável pelos programas de rádio e de televisão do MFA, além de publicar um boletim e de organizar sessões de esclarecimento sobre o programa do MFA por todo o país — encontros estes que ficaram conhecidos como sendo de “Dinamização Cultural”. Foram vistos, contudo, pelos sectores da sociedade portuguesa de então que defendiam um sistema de democracia representativa de inspiração ocidental como uma interferência dos militares na vida política do país.

A divisão liderada por João Varela Gomes, que era visto como uma figura próxima do Partido Comunista Português, ficou historicamente ligada aos sectores radicais de extrema-esquerda que durante o PREC se opunham à implementação de um sistema político assente no parlamentarismo e na escolha dos representantes do povo com base em eleições com voto secreto e universal.

O coronel espirrou. Há algum médico na assistência?

Durante a ditadura do Estado Novo, João Varela Gomes teve uma participação ativa contra o salazarismo, tendo sido um dos participantes do chamado Golpe de Beja, na noite de passagem de ano de 1961 para 1962.

Durante aquela madrugada, um grupo de militares — encabeçado por Humberto Delgado — tentaram tomar o quartel do Regimento de Infantaria 3, em Beja. A revolta acabou por ser travada pelas tropas de Salazar, com duas mortes pelo meio — incluindo o subsecretário da Defesa, Jaime Fonseca.

Numa entrevista à RTP em 1975, Varela Gomes recordou que não foi o autor daquele golpe, atribuindo o mérito a Manuel Serra e assumindo-se apenas como dirigente operacional do golpe.