O Governo português manifestou-se esta segunda-feira “preocupado e até indignado” pelas notícias de frequentes violações do cessar-fogo na Síria e reiterou o apelo de Portugal ao cumprimento do decidido sábado à noite pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas.

Contactado pela agência Lusa desde Lisboa por telefone após uma reunião com o seu homólogo russo em Moscovo, o ministro dos Negócios Estrangeiros português, Augusto Santos Silva, lembrou que o acordo de cessar-fogo “isenta” os que combatem quer o grupo Estrado islâmico (EI) quer as diferentes fações ligadas à Al Qaeda.

“Vejo com muita preocupação e até indignação, visto que o cessar-fogo tem de ser cumprido e cumprido por todas as partes. Evidentemente que a decisão do Conselho de Segurança da ONU isenta da obrigação de respeitar o cessar-fogo quaisquer forças que se tenham de opor ao Daesh [grupo Estado Islâmico] ou aos grupos ligados à Al Qaeda. Há esta cláusula no acordo de cessar-fogo”, frisou Santos Silva à Lusa.

“No entanto, há relatos de acusações de violação ao cessar-fogo e há já uma posição das Nações Unidas chamando todas as partes ao respeito escrupuloso por aquilo que o Conselho de Segurança decidiu”, acrescentou Santos Silva, momentos depois de se ter reunido com o seu homólogo russo, Serguei Lavrov, em Moscovo.