O primeiro-ministro, António Costa, transmitiu esta segunda-feira ao Presidente brasileiro, Michel Temer, uma mensagem da Comissão Europeia sobre a “oportunidade histórica” que constitui a conclusão do acordo entre a União Europeia e o Mercosul.

Esta mensagem de António Costa foi confirmada à agência Lusa por fonte oficial do executivo, num dia em que o primeiro-ministro português e o chefe do Governo espanhol, Mariano Rajoy, lançaram em Elvas o concurso para a ligação ferroviária entre Évora e a fronteira, de quase 100 quilómetros – uma cerimónia em que esteve também presente a comissária europeia dos Transportes, Violeta Bulc.

“O primeiro-ministro, António Costa, falou com o Presidente do Brasil, Michel Temer, para transmitir a mensagem da Comissão Europeia quanto à oportunidade histórica de concluir com sucesso as negociações com o Mercosul”, referiu à agência Lusa fonte do Governo.

Ao início da tarde, a EFE noticiou que o presidente do Governo espanhol, Mariano Rajoy, e António Costa comunicaram com o presidente do Brasil para reiterar o apoio de ambos à conclusão das negociações comerciais entre a União Europeia e o Mercosul.

Segundo a presidência brasileira, tanto Rajoy, como Costa, tomaram a iniciativa de telefonar a Temer e “reafirmar o interesse de ambos no sentido de se superar as últimas diferenças para que o acordo entre a União Europeia e o Mercosul seja alcançado a curto prazo”.

A última ronda de negociações realizou-se na semana passada no Paraguai, país que atualmente exerce a presidência semestral do Mercosul, tendo sido concluída sem avanços, mas com a decisão de se agendarem novas reuniões nas próximas semanas.

Em janeiro passado, no discurso que proferiu no Fórum Económico Mundial, em Davos, na Suíça, o primeiro-ministro português pediu empenhamento para a conclusão rápida do acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul, sustentando que o impacto económico será dez vezes superior ao acordo celebrado com o Canadá.

O acordo entre a União Europeia e o Mercosul é fundamental. Só para termos uma noção de grandeza, esse acordo tem um impacto económico dez vezes superior em comparação com o que foi celebrado com o Canadá”, sustentou António Costa.

De acordo com o primeiro-ministro, o acordo com o Mercosul constitui “uma oportunidade única no sentido de ser reforçada a relação transatlântica, num momento em que os Estados Unidos desinvestem do comércio internacional e que discutem se mantêm ou não o acordo da NAFTA”.

“Temos uma oportunidade de reforçar uma relação com países tradicionais parceiros da Europa. Todos estes países da América do Sul são países com origem na Europa, o que significa laços muito profundos”, alegou, avançando aqui com um argumento de caráter histórico.

Numa alusão a países como a Irlanda ou a França, António Costa disse perceber que alguns Estados-membros se deparem com “algumas dificuldades relativamente a algumas das suas produções”, particularmente a carne de vaca.

“Mas não há nenhum acordo comercial que não afete de uma forma ou de outra qualquer atividade económica em qualquer país. Portanto, temos de reduzir os impactos negativos e maximizar as oportunidades”, defendeu.

Na perspetiva de António Costa, o acordo em preparação com o Mercosul “terá um impacto económico para o conjunto das empresas da União Europeia, assim como para a criação de emprego na Europa, de uma dimensão muito superior a todos os acordos já negociados até agora”.

“Esta tem de ser claramente uma prioridade da União Europeia. Espero que nas próximas semanas seja possível concluir este acordo com o Mercosul, onde países como o Brasil e a Argentina têm uma posição central”, acrescentou no discurso que fez em Davos.