António Marinho e Pinto defende o antigo Procurador-geral da República das acusações sobre ter protegido José Sócrates. Diz que o processo em que o ex-primeiro-ministro foi acusado não estará concluído “nem por daqui a 20 anos”. E defende a sua sucessora na Ordem dos Advogados, Elina Fraga, que hoje é vice-presidente de Rui Rio no PSD. Quanto a atual Procuradora-geral, diz que deve cumprir apenas um mandato e também que “não merece louros nenhuns dos processos judiciais” em curso.

Numa entrevista ao jornal i, publicada esta sexta-feira, o eurodeputado fala do estado da Justiça e critica a existência de megaprocessos. “O Ministério Público devia ser mais sóbrio, menos exibicionismo, menos espalhafatoso nos megaprocessos. Julguem um indivíduo de cada vez que fazem a justiça mais rápida”. É um dos erros que detecta na Operação Marquês: “Misturou-se tudo para fazer um megaprocesso que nem daqui por 20 anos terá uma decisão final“. E por “tudo”, Marinho e Pinto entende “vários processos opostos que não têm nada a ver uns com os outros, como a PT e o BES”. O antigo bastonário da Ordem dos Advogados considera que “se Sócrates fosse julgado sozinho, tivesse um processo sozinho e não fosse misturado com coisas que não tivessem nada a ver com ele, podíamos ter uma decisão dentro em breve“.

Foi precisamente quando falou de Sócrates e a sua relação com o antigo Procurador-geral, Fernando Pinto Monteiro, que Marinho e Pinto acabou a desvalorizar o trabalho da atual Procuradora-geral da República, Joana Marques Vidal. Começa por dizer não acreditar que Pinto Monteiro “tenha protegido qualquer suspeito, incluindo o ex-primeiro-ministro”, enquanto esteve à frente da PGR. “Não acredito nessas injúrias que fazem publicamente, pessoas que o odeiam unicamente porque ele não fez aquilo que politicamente desejavam”, afirma Marinho que logo de seguida diz que Joana Marques Vidal também não o fez. “Não teve nenhuma interferência em nenhum dos processo de que agora muitos dizem que ela foi o principal arauto“.

Aqui, Marinho e Pinto defende os magistrados que “fizeram o seu trabalho”, “umas vezes decidem num sentido, outras decidem noutro”. E desvaloriza a ação tão elogiada de Marques Vidal que diz que não “merece louros nenhuns dos processos judiciais que, aliás, nem se sabe se dão azo a êxito em condenações em tribunal”. Também diz a a atual Procuradora-geral deve ser substituída ao fim do primeiro mandato “porque estes mandatos por nomeação sé se devem exercer uma vez”.

Na entrevista é também questionado sobre a sua sucessora na Ordem que hoje está ao lado de Rui Rio. “Tenho muito respeito por Elina Fraga porque é uma pessoa muito séria, muito honesta, muito trabalhadora, muito corajosa, muito determinada”. Dito isto, dá a bicada a “muita gente que há no PSD — talvez aquelas clientelas que Paula Teixeira da Cruz criou em torno da justiça — que deve estar um bocado em pânico porque não contarão com Elina Fraga para se manterem”. Não detalha a que “clientela” concreta se refere, apenas acrescenta que “quando a apuparam [no congresso do PSD], foram duas ou três pessoas que viram que alguns privilégios que foram distribuídos pelo Governo de Passos Coelho e Paula Teixeira da Cruz possam estar ameaçados, admito que sim”.

Ainda falou dos partidos políticos e do (pouco) combate à corrupção — que esta semana foi novamente apontado pelo grupo de estados contra a corrupção do Conselho da Europa — para os acusar de “não estarem interessados em fazer o debate da corrupção”, “todos empurram o problema com a barriga para a justiça”, diz Marinho e Pinto que está no Parlamento Europeu desde 2014.