Ana Julia Quezada, companheira do pai do pequeno Gabriel Cruz — que foi encontrado sem vida no último domingo após quase duas semanas de buscas e manifestações de apoio, foi apanhada em flagrante a transportar o corpo do menino no porta-bagagens do seu carro. É agora a principal suspeita do homicídio de Gabriel, mas há já algum tempo que estava sob a mira da polícia. Acabou por ser detida no município de Vícar, na província de Almería, Espanha.

Enquanto os agentes de segurança a prendiam, Ana Julia Quezada gritava “não fui eu! Eu só peguei no carro esta manhã!”, ao que um polícia respondeu “cala-te!”. O momento da detenção foi gravado por um vizinho e pode ser visto abaixo.

A mulher de origem dominicana acompanhou todo o processo desde o dia em que Gabriel desapareceu depois de sair de casa da avó para ir brincar com os primos, deu entrevistas conjuntas com o pai, Ángel Cruz, e participou nas operações de busca — foi assim que se comportou Ana Julia Quezada ao longo dos últimos 12 dias de angústia, sofrimento e dúvidas.

O jornal El Español escreve que a Guarda Civil já desconfiava de que a mulher estivesse envolvida no desaparecimento do menino de oito anos, uma vez que entrou em contradições quando testemunhou sobre o caso. Também o facto de ter encontrado, juntamente com o companheiro, uma camisola de interior branca num local que já tinha sido passado a pente fino levantou as últimas suspeitas.

A detenção passo a passo

Ana Julia Quezada seguiu de Las Hortichuelas com Ángel Cruz na manhã de domingo, rumo a Almería, onde o pai de Gabriel ia fazer um comunicado de imprensa para dar conta dos avanços da investigação. A companheira deixou-o no hotel e voltou a pegar no carro. Sem saber, estava a ser seguida pela Unidade Central Operativa da Guarda Civil.

A mulher de 35 anos conduz até Puebla de Vícar e vai até uma fazenda que é propriedade da família de Ángel Cruz. Sai do carro com uma manta e caminha até um poço que ali se encontra, onde pega num pacote que, de seguida, envolve na manta. Depois volta ao carro e coloca-o na bagageira. Enquanto isto, os agentes observam Ana Julia e tiram fotografias de todos os seus passos.

A descoberta do corpo

O objetivo era levar o corpo do menino de oito anos para longe das investigações. Assim, Ana Julia dirige-se a casa, não muito longe da fazenda, sempre a ser seguida de perto. Quando a polícia percebe que a mulher está prestes a entrar numa garagem, a avança e pede-lhe que abra a mala do carro: debaixo da manta que levava consigo estava o corpo de Gabriel coberto de lama. Ana Julia diz, enquanto isso, que alguém o lá colocou e que tinha passado a manhã na praia.

A descoberta do corpo de Gabriel foi um momento pesado, provavelmente o pior na carreira dos agentes da polícia espanhola, escreve o jornal El Español. Enquanto uns seguravam Ana Julia, que gritava “não fui eu! Quero-te, Gabriel!”, tentando defender-se, outros apontavam testemunhas oculares e outros havia que se abraçavam depois da descoberta.

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Imediatamente ligaram para os pais de Gabriel, Ángel e Patricia, para os informar de que o corpo do filho tinha sido encontrado e de que Ana Julia, que estava já detida, era a principal suspeita do crime. A investigação centra-se agora em tentar perceber se atuou sozinha ou se teve algum cúmplice.

“Pena de morte”, “justiça” e “assassina”

Centenas de pessoas reuniram-se em frente ao Comando da Guarda Civil, em Almería, onde se encontra detida a namorada do pai de Gabriel. Entre as palavras de ordem que se faziam ouvir estavam “justiça”, “assassina” e “pena de morte”. A manifestação durou várias horas e só foi interrompida por uma outra concentração que estava convocada junto à Câmara Municipal de Almería às 19h, no domingo.

As operações de busca que duraram quase duas semanas provocaram um grande alarido e os espanhóis não se cansaram de pedir “justiça” e “prisão perpétua” para Ana Julia. Também em Níjar se reuniaram centenas de pessoas em pontos distintos para mostrarem o apoio à família de Gabriel Cruz.

Os espanhóis mostraram a sua solidariedade para com a situação dolorosa que os pais do menino estão a viver, fizeram minutos de silêncio e homenagearam a memória de Gabriel. Foram decretados três dias de luto.