Em termos práticos, todos os motores, a gasolina ou a gasóleo, conseguem respeitar os novos limites de emissões impostos pelo Worldwide Harmonized Light Vehicles Test Procedure (WLTP) – tudo depende da quantidade de dinheiro que os construtores estão na disposição de lhes deitar em cima e qual a redução de potência que aceitam em troca. Num motor antigo, pouco sofisticado ou simplesmente mal nascido, são necessários investimentos enormes para controlar as emissões, que ainda assim vêm com consumos menos bons e consideráveis cortes na potência. Já com motores modernos e avançados, a adaptação às novas normas WLTP é substancialmente mais simples, com este tipo de unidades a assegurar um maior prazer de condução, com mais potência e menos consumo.

No capítulo dos motores diesel, a Renault tem actualmente duas unidades na gama média, o 1.5 dCi menos potente e mais antigo, apesar de continuamente renovado, e o 1.6 dCi, mais recente, moderno e potente. Curiosamente, a marca francesa já anunciou que não vai adaptar esta que é a sua melhor unidade neste segmento, ao regulamento do WLTP. E o 1.5 dCi avança, resta saber até quando, uma vez que a marca gaulesa está apostada em manter a oferta de motores a gasóleo, mas quer fazê-lo com unidades mais potentes, com menores consumos e emissões a condizer.

O novo 1.7 dCi, que a marca ainda não anunciou, vai ter versões entre 120 e 160 cv. Apesar de ter mais 100 centímetros cúbicos, a base, pelo menos ao nível do bloco, deriva do 1.6 dCi e daí que a denominação interna seja R9N, uma evolução do R9M, o nome de código para o 1.6 dCi. Com 1.698 cc, o novo motor turbodiesel vai recorrer a sistemas mais simples de sobrealimentação para a versão de 120 cv, para depois deitar mão a sistemas twin-turbo para atingir 150 e 160 cv.

A Renault aposta que o novo 1.7 dCi, que surgirá no final de 2018, irá respeitar não só a norma Euro 6d Temp e até a Euro 7, que dará os primeiros passos em 2020. Entre os seus principais truques está a capacidade de reduzir a produção de NOx para apenas 40 miligramas por quilómetro, ou seja, metade dos limites actuais. A nova unidade será disponibilizada praticamente em toda a gama (excepto o Clio), do Mégane ao Talisman, passando pelo Scénic e Grand Scénic, Kadjar, Koleos e Espace. E, tal como tem acontecido até aqui, com os 1.5 dCi e 1.6 dCi, também o 1.7 dCi animará uma série de modelos da Mercedes, dos Classe A, B e C aos SUV mais pequenos.