Na segunda-feira, caiu rebentou a polémica em Espanha: Pedro Sánchez, o novo presidente do Governo espanhol, tinha viajado no avião oficial para assistir a um concerto dos The Killers, no Festival Internacional de Benicasim, na região de Castelló, Valência. Pelo meio, Sánchez visitou a Câmara Municipal da cidade, assinou o livro de honra e encontrou-se rapidamente com o presidente da autarquia, Amparo Marco. Depois, foi a pé até ao centro da cidade e reuniu com o líder da Generalitat valenciana, numa conversa a que Pedro Sánchez e Ximo Puig se referiram como “informal”. Mas com o passar dos dias, os pormenores multiplicam-se e a história adensou-se.

A imprensa espanhola conta agora que o Falcon 900B da Força Aérea espanhola realizou mais do que uma viagem desde o Palácio da Moncloa, a residência oficial de Sánchez, em Madrid, até ao aeroporto de Castelló. Ao que parece, quando o presidente do Governo espanhol aterrou em Valência, o avião oficial regressou a Madrid. No dia seguinte, sábado – depois de Pedro Sánchez ter assistido ao concerto da banda The Killers e dormido em Benicasim -, o avião voltou a Castelló para ir buscar o líder do PSOE.

E mais. Pedro Sánchez regressou ao Palácio da Moncloa no Falcon apesar de não ter agenda oficial programada até ao meio-dia de domingo, quando recebeu a presidente da comunidade autonómica da Andaluzia. Segundo o ABC, não tendo qualquer compromisso enquanto presidente do Governo, Pedro Sánchez teria de ter regressado a Madrid por contra própria e não no avião oficial.

Logo depois do episódio se tornar público, coube a Carmen Calvo, ministra da presidência espanhola, reagir às críticas em nome de Pedro Sánchez. Calvo explicou que o concerto dos The Killers fazia parte da “agenda cultural” do presidente do Governo espanhol e questionou: “Qual é a diferença entre o concerto com esta música e onde estiveram estes milhares de cidadãos e os que estariam num teatro a assistir a uma ópera?”.

Pedro Sánchez, que assistiu ao concerto da banda norte-americana acompanhado pela mulher e pelas duas filhas, tem sido o alvo das críticas da oposição, que o acusam de utilizar fundos públicos para fins pessoais. O PP, pela voz de Antonio Bermúdez de Castro, apelidou os encontros com Amparo Marco e Ximo Puig de “reuniões para fazer tempo” até ao concerto e defendeu que “os espanhóis exigem e merecem uma resposta convincente porque não se pode consentir a utilização de meios públicos para fins privados”. Já o Ciudadanos garantiu que não ficou “convencido” pelas justificações de Carmen Calvo e atirou, ironicamente: “Se ir a um festival é agenda cultural, ir comer tapas é agenda gastronómica”. Já o Podemos, que tem estado em conversações para acordos com Sánchez, decidiu não comentar o assunto.

Esta não foi a primeira vez que Pedro Sánchez se deslocou ao Festival Internacional de Benicasim para assistir a um concerto dos The Killers. Em 2016, esteve lá e viu a banda de Brandon Flowers: mas passou despercebido. Desta vez, passou pelos bastidores, foi aplaudido pelo público e acabou por assistir ao concerto numa bancada lateral em local privilegiado junto ao palco.