Foi o último trabalho da corveta “Jacinto Cândido” em alto mar e acabou por ser uma missão fora do comum. A Unidade Contra-Terrorismo da Polícia Judiciária (PJ), em conjunto com a Marinha Portuguesa, a Força Aérea e a Polícia Marítima, deteve um cidadão francês, este fim-de-semana, que terá sequestrado outro cidadão da mesma nacionalidade no porto de Leixões, levando-o para alto mar na embarcação da vítima. Foi através da corveta que se chegou ao veleiro.

Tudo começou na passada quinta-feira, quando a PJ recebeu uma comunicação das autoridades francesas sobre uma denúncia do sequestro de um nacional daquele país a bordo de uma embarcação ao largo da costa portuguesa. O homem, de 28 anos, contactou uma pessoa próxima antes de entrar no veleiro, alertando assim as autoridades.

A embarcação francesa acabou por ser localizada durante a tarde de sexta-feira a 160 milhas náuticas da costa portuguesa — isto é, por outras palavras, a cerca de 300km do sudoeste de Lisboa, mas ainda em águas territoriais portuguesas. O trabalho não foi fácil e demorou várias horas: sabia-se a hora de saída do veleiro do porto, a que velocidade poderia ir, mas foi preciso fazer vários cálculos para o encontrar.

Depois de localizado o veleiro, os inspetores da PJ embarcaram num helicóptero EH-101 da Força Aérea Portuguesa que levou-os ao encontro da corveta — que já estava em alto mar. Com a Judiciária a bordo, a “Jacinto Cândido” iniciou a perseguição à embarcação suspeita.

Pelas 16h16 de sábado conseguiram intercetar o veleiro, tendo a vítima sido libertada. Segundo as autoridades, o cidadão francês terá sido coagido e sequestrado na sua embarcação com o objetivo de realizar o transporte de droga no veleiro. Caso não o fizesse, a sua família corria perigo de vida.

Com a ajuda da Força Aérea, os inspetores da PJ foram colocados na corveta e conseguiram chegar ao veleiro.

Só por volta das 6h da manhã de de domingo é que o veleiro e a corveta da Marinha atracaram no Porto de Portimão, “trazendo a bordo o suspeito e a vítima”, confirmou Patrícia Silveira, coordenadora de investigação criminal da Unidade Nacional de Contra-Terrorismo da PJ, em conferência de imprensa.

De seguida, foi realizada uma busca ao veleiro, “confirmando-se as suspeitas existentes da prática de um crime de sequestro e coação agravados”, tendo o arguido sido detido em flagrante delito, afirmou Silveira.

O homem, de 42 anos, foi apresentado no Tribunal de Instrução Criminal de Lisboa na tarde de domingo, tendo ficado em prisão preventiva. No veleiro não foi encontrada droga — as autoridades suspeitam que a embarcação ainda estaria a dirigir-se para o local de origem –, mas foram apreendidas várias centenas de milhares de euros.

A PJ disse ainda não existir qualquer ligação dos dois indivíduos a Portugal e suspeitam que não há ligação entre eles. Apesar de a investigação ainda estar a decorrer, sabe-se que o sequestrador tem antecedentes criminais por criminalidade organizada e violenta.