Comércio Externo

Câmara de Comércio. Empresas portuguesas que compram na Turquia “estão a esfregar as mãos de contentes”

Empresas portuguesas que compram têxteis na Turquia importaram 68 milhões de euros no primeiro semestre do ano, período em que se intensificou a desvalorização da lira face ao dólar.

SEDAT SUNA/EPA

Mau para os turcos, bom para os portugueses. O presidente da Câmara de Comércio e Indústria Portugal-Turquia, Rui Paias Couto, revela que muito dos associados da câmara estão “a esfregar as mãos de contentes” com a queda da lira turca – que esta sexta-feira afundou 16% face ao dólar.

“Os associados que temos na Câmara, e estamos a falar de mais de 600, estão a esfregar as mãos de contentes, porque estão a comprar mais barato. Para as empresas de têxteis em Portugal, então, tem sido um ‘boom’”, disse ao Observador o responsável.

Nos primeiros seis meses do ano, Portugal importou da Turquia 439 milhões de euros em bens, mas a principal importação nem sequer foram os têxteis, que representam cerca de 15,4% (68 milhões de euros) do total do semestre. A principal importação portuguesa da Turquia foram os automóveis, que representam 28% (ou 123,2 milhões de euros) do bolo total. Marcas como a Renault, a Ford, a Toyota e a Hyundai produzem na Turquia.

“É um benefício para nós. Da Turquia importamos, o que exportamos de Portugal para lá é residual. Completamente residual”, considera Rui Couto, numa referência limitada aos associados da Câmara de Comércio, que inclui essencialmente Pequenas e Médias Empresas (PME). Na verdade, nos mesmos seis meses de janeiro a junho deste ano, Portugal exportou 202,2 milhões de euros para a Turquia, grande parte relativos a “fornecimentos industriais não especificados”, indicam os dados mais recentes do INE.

Quanto às empresas portuguesas em território turco, explica Rui Couto, “estão lá, na sua maioria, para consumo interno”, não para exportar para Portugal. Uma das principais empresas nacionais na Turquia é a Empark, que explora parques de estacionamento em Istambul.

Entre os associados da Câmara de Comércio Portugal – Turquia, grande parte das empresa está ligada à importação de têxteis, especialmente algodão trabalhado ou em cru. E, pelo menos nesse setor, a quebra da lira turca (cujo movimento descendente começou em 2015, mas que tem vindo a agravar-se desde o início do ano) tem sido positiva.

“Não estou a falar das grandes empresas. Estou a falar das PME, porque as grandes não precisam das Câmaras de Comércio. Mas para essas, quanto mais baixa estiver a lira turca melhor. (…) Temos representações em Ancara e Istambul. A informação que tivemos é que anda toda a gente contente. Os turcos não, mas quem está a comprar na Turquia está contente”, salientou.

Depois de uma manhã de turbulência e de uma recuperação parcial, esta sexta-feira a lira turca chegou a afundar 16% face ao dólar na sequência do anúncio de Donald Trump de que autorizou a duplicação das taxas alfandegárias sobre a importação de aço e alumínio da Turquia, num altura em que a relação entre os dois países está tensa.

“Acabei de autorizar a duplicação das tarifas sobre o aço e o alumínio relativamente à Turquia numa altura em que a sua moeda, a lira turca, desvaloriza rapidamente contra o nosso forte dólar! [A taxa sobre o] alumínio será agora sobre 20% e sobre o aço 50%. As nossas relações com a Turquia não são boas nesta altura”, disse o presidente dos Estados Unidos numa publicação na rede social Twitter.

A decisão de Donald Trump foi anunciada numa altura em que a lira turca já recuperava de uma forte desvalorização que tinha acontecido no início das negociações. Durante a manhã, a lira turca chegou a cair 11% e depois recuperou parte das perdas. No entanto, assim que foi anunciada a decisão, a moeda turca voltou a cair a pique e já caia mais de 16% pelas 14h40 desta sexta-feira.

O euro também está a cair face ao dólar, na sequência da turbulência vinda da Turquia. A moeda única chegou a desvalorizar quase 0,9%.

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