Um tribunal de São Francisco, nos Estados Unidos, condenou esta sexta-feira o gigante agroquímico norte-americano Monsanto a pagar 290 milhões de dólares por não ter informado sobre a perigosidade do herbicida Roundup, na origem de um cancro num jardineiro. O princípio ativo deste herbicida é o glifosato cuja licença de utilização foi renovada na Europa em novembro de 2017.

Os jurados determinaram que a Monsanto agiu “com maldade” e que o seu herbicida Roundup, ainda que na sua versão profissional RangerPro, contribuiu “consideravelmente” para a doença do jardineiro Dewayne Johnson. A Monsanto, comprada pela alemã Bayer, foi processada pelo jardineiro americano, de 46 anos, vítima de um cancro em fase terminal, após ter vaporizado com o herbicida Roundup durante vários anos.

O herbicida está no meio de nós. Corremos perigo?

Em 2015, a Agência Internacional para a Investigação sobre o Cancro (IARC) da Organização Mundial de Saúde (OMS) classificou o herbicida como “provavelmente carcinogénico para humanos”.

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A utilização do herbicida e a renovação da licença pela União Europeia têm sido alvo de controvérsia. Nesse sentido, foi criada uma comissão especial do Parlamento Europeu sobre o procedimento de autorização de herbicidas e pesticidas, em fevereiro. O mandato da comissão é de nove meses após sua primeira reunião, tendo de apresentar um relatório final das conclusões e recomendações.

Relatório da UE sobre glifosato é alvo de dúvidas

Bayer garante que existem provas científicas que o glifosato é seguro

Em resposta à decisão do tribunal, a farmacêutica Bayer garantiu este sábado que o glifosato é “seguro e não cancerígeno”. A garantia decorre de “provas científicas, sujeitas a exames regulares à escala mundial” e de “dezenas de experiências práticas de utilização do glifosato”, disse um porta-voz da farmacêutica alemã Bayer, não identificado pela agência AFP.

A Monsanto já anunciou, em comunicado, que vai recorrer da sentença e reiterou que o glifosato não provoca o cancro e não foi responsável pela doença do jardineiro americano. “A decisão do tribunal contradiz as conclusões científicas”, corroborou o porta-voz da Bayer.

O glifosato, presente no produto Roundup, é uma substância muito controversa, que tem sido objeto de estudos científicos contraditórios quanto à presença de elementos cancerígenos.

Atualizado às 13h30 com a resposta da Bayer