À chegada à estação de Porto-Campanhã na manhã desta terça-feira, pouco passava das 9 horas, Nuno Melo voltou a apontar a falta de investimento público, as cativações, reversões e “um certo preconceito ideológico” em relação à participação de privados como principais causas para o mau estado da ferrovia nacional. “O que está a acontecer com a ferrovia é simplesmente uma vergonha”, acusou o eurodeputado.

As concessões, como acontece noutras áreas da economia, vêm muitas vezes em benefício do Estado, desde logo quando o Estado não tem dinheiro para fazer os investimentos que são necessários“, declarou no final de uma viagem iniciada em Viana do Castelo, integrada num roteiro de viagens da CP escolhido pelo CDS para, como explicaram, exporem a atual situação dos caminhos-de-ferro em Portugal — um roteiro em que participam outros dirigentes centristas, incluindo a líder do partido, durante o dia de hoje.

Para sustentar a sua argumentação, o eurodeputado centrista apontou o caso dos Estaleiros de Viana como “prova evidente de que a participação dos privados, quando bem pensada, é uma solução”. Acompanhado por Pedro Mota Soares, Ilda Novo e Filipe Anacoreta Correia, o atual eurodeputado e cabeça de lista do CDS para as próximas eleições europeias, que acontecem em Maio de 2019, acusa também o governo socialista de desperdiçar fundos comunitários “disponíveis para a modernização dos comboios e do material circulante”. E destaca a baixa taxa de execução do plano Ferrovia 2020: “Neste momento o plano está com uma taxa de execução de 15% e o que pedimos, entre outras coisas, é que comparem o que já deveria estar executado no primeiro trimestre de 2018 e o que não está”.

Questionado sobre a responsabilidade do CDS no estado da ferrovia, depois do secretário de Estado das Infraestruturas, Guilherme. W. d’Oliveira Martins, ter dito que, entre 2010 e 2015, houve uma redução de cerca de um terço dos trabalhadores, Nuno Melo prefere concentrar-se nos “vários planos que estavam aprovados pelo antigo governo e que o atual reverteu”, como os fundos comunitários previstos para a linha de Cascais desviados para outros fins.

O CDS enquanto governo teve planos para a ferrovia, apesar dos tempos de contingência e de austeridade. Este governo, que tem supostamente um país que cresce, que diz que tudo está bem, permite, como se vê, o que nesses tempos de austeridade realmente não aconteceu. Se compararem a ferrovia de hoje com a até 2015, certamente notarão diferenças para pior. Quem hoje governa não faz o investimento possível, não faz sequer o investimento prometido.”

A iniciativa de hoje faz parte de uma mobilização nacional do CDS para denunciar a falta de investimento na ferrovia em Portugal, na qual vários dirigentes nacionais, incluindo Assunção Cristas, estarão a viajar “de Norte a Sul do país”. A CP é também um dos alvos das críticas ao mau estado do serviço prestado aos utilizadores dos comboios.