A antiga ministra da Saúde e presidente da Fundação Champalimaud, Leonor Beleza, alertou esta quinta-feira à noite, na Universidade de Verão do PSD, que no próximo ano “as eleições europeias vão ser, pelo menos, tão importantes como as legislativas“. Leonor Beleza acredita que nas escolhas que vão ser feitas pode estar em causa o “futuro da União Europeia“, que enfrenta vários riscos, tendo em conta o crescimento dos partidos eurocéticos e o Brexit.

Beleza avisa que é preciso garantir a continuidade de valores europeus que partem do princípio que a vida dos imigrantes, que procuram uma melhor vida na Europa, tem o mesmo valor dos que já vivem na Europa, criticando políticas de portas fechadas como a de Victor Órban na Hungria (que pertence à mesma família do PSD na Europa, o Partido Popular Europeu).

A antiga ministra de Cavaco Silva, que é presença assídua na Universidade de Verão, revelou que esta é uma forma de prestar um “serviço especial ao partido” e de cumprir a sua missão de militante, num momento em que a vida não lhe permite ser tão ativa no PSD.

Olhando para a realidade nacional, Leonor Beleza referiu-se ainda ao caso específico de uma decisão de um tribunal que permitiu, alegando razões culturais, que uma jovem de etnia cigana de 15 anos abandonasse o ensino obrigatório, quando estava no 7º ano. Para a presidente da Fundação Champalimaud é preciso garantir o respeito por outras culturas e a igualdade entre seres humanos, mas adverte: “Não podemos ser tolerantes quando estão em causa direitos básicos”. Para Leonor Beleza há uma fronteira que não pode ser ultrapassada no respeito pela diferença dos outros: “Não podemos ceder nos direitos humanos”.

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