Mais uma pressão a Rui Rio para que reconduza a Procuradora-Geral da República e, desta vez, ao vivo e a cores. Com as cores da JSD. A líder da juventude partidária defendeu este domingo — mesmo ao lado do presidente do partido — que “nos últimos anos deixaram de haver intocáveis” na justiça e que “acabou o sentimento de impunidade em Portugal“. Margarida Balseiro Lopes, que falava no encerramento da Universidade de Verão, em Castelo de Vide, considera que esse progresso na justiça “muito se deve a Joana Marques Vidal” e que “é, por isso, que a atual Procuradora-Geral da República deve ser reconduzida“.

Se há dias Rio ouviu, à distância, seu secretário-geral, José Silvano, a defender a recondução de Joana Marques Vidal, agora viu a líder da JSD fazer o mesmo. Margarida Balseiro Lopes já tinha defendido, num artigo de opinião assinado com mais quatro deputados no Observador (Miguel Morgado, Hugo Soares, Duarte Marques e António Leitão Amaro) que a não recondução da PGR seria “inaceitável” e até suspeita. Agora, diz o mesmo em frente a Rui Rio e minutos antes do líder falar na sessão de encerramento da Universidade de Verão.

Margarida Balseiro Lopes defendeu também que não há tema mais importante para “uma geração desiludida e desencantada com a classe política” do que um “combate sério e eficaz à corrupção”. Para a líder da JSD, a condição essencial para esse “combate com rigor” é a independência do Ministério Público. Daí a importância da continuidade de Marques Vidal no cargo.

Na sexta-feira, depois do seu secretário-geral José Silvano e do eurodeputado Paulo Rangel terem defendido de manhã e ao início da tarde a recondução de Joana Marques Vidal, Rui Rio recusou comentar o assunto. Para o líder social-democrata “quem é responsável de colocar o problema em cima da mesa é o primeiro-ministro e o Presidente da República. Enquanto eles não colocarem o problema em cima da mesa, eu não coloco o problema em cima da mesa”. Rio não fala, mas o PSD continua a fazer-se ouvir sobre o assunto.

Na sessão de encerramento a Universidade de verão (UV), para além da recondução da PGR, Margarida Balseiro Lopes criticou ainda a proposta apresentada por António Costa de oferecer um desconto de IRS de 50% para jovens que emigraram entre 2011 e 2015, dizendo que esta é uma medida “demagógica, eleitoralista e ineficaz”. Para a líder da JSD, é “demagógica porque insinua que a emigração começou e acabou no anterior governo, eleitoralista porque só chega em ano de eleições e ineficaz porque, por si só, não trará ninguém de volta a Portugal”. Lembrou depois a história de uma antiga aluna da UV, Beatriz Seco, uma enfermeira que emigrou para o Reino Unido já com Governo de Costa funções e que “quer muito voltar a este país”, mas que não terá essa isenção.

A presidente da “jota” lembrou depois a história de José Alves, um português da Venezuela, que é aluno na Universidade de Verão e teve de “fugir do país”. Com estes dois casos, Margarida Balseiro Lopes pretendeu demonstrar que “Costa está a cometer um duplo erro para com muitos jovens portugueses a viver fora do país”, ao mesmo tempo que “está a tratar de forma incompetente os que saíram e querem voltar” e a “a ignorar de forma cobarde estes que não têm outra hipótese que não voltar.”

No final do discurso, Margarida Balseiro Lopes deu um abraço ao líder Rui Rio.